Cidades

Fundação realiza campanha para líder indígena de MT concorra ao Nobel da Paz

A Fundação Darcy Ribeiro realiza uma campanha para a indicação do cacique Raoni ao Nobel da Paz em 2020. A iniciativa já tem cerca de 3 mil assinaturas na petição eletrônica. Nascido na terra indígena Kapôt Nhinore, o cacique Raoni Metuktire é referência na defesa da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas.

Nascido na região de Santa Cruz do Xingu (1,230 km a nordeste de Cuiabá), Raoni Metukire teve o primeiro contato com os brancos em 1954, com os irmãos Villas-Bôas e desde então é símbolo da resistência indígena. Em 1984, em plena Ditadura, apareceu armado e pintado para a guerra em um evento com o então ministro do Interior, Mário Andreazza, para exigir a demarcação das terras dos Kaiapó.

Ele se tornou mundialmente conhecido em 1987, ao ganhar o apoio do cantor Sting para a demarcação das terras indígenas. Raoni foi um dos responsáveis pela mobilização para a criação do Parque Nacional do Xingu, em 1993, região onde vive atualmente.

Com 89 anos, o cacique ainda realiza viagens internacionais para mobilizar a sociedade sobre os problemas da região amazônica e dos direitos dos povos indígenas. Na última viagem esteve com líderes europeus, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, para denunciar o projeto de Jair Bolsonaro (PSL) de abrir as terras indígenas para a mineração.

Pelo regulamento do Nobel da Paz, a indicação dos concorrentes pode ser feita por Assembleias Nacionais e professores de universidades. Informações da Fundação Darcy Ribeiro são de que a indicação de Raoni foi aceita para a primeira fase de selecionados para o Nobel, porém, alguns requisitos ainda precisam ser cumpridos.

Na petição a favor do cacique, a Fundação afirma que "por tudo que representa, o Cacique Raoni Metuktire, legítimo representante dos povos originários do Brasil, merece ser o primeiro brasileiro a conquistar em 2020 o Prêmio Nobel da Paz".

A indicação do cacique mato-grossense foi repercutida no site americano New York Times. Na matéria, o líder indígena é chamado de "ícone da Amazônia, com seu inconfundível grande lábio" e sua atuação na defesa do meio ambiente desde a década de 1980 é relembrada.

Redação

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