Cidades

Funcionários protestam contra privatização da Infraero

Funcionários da Infraero – Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – fizeram um protesto contra a possível privatização da empresa na tarde desta segunda-feira (31), dentro do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande (região Metropolitana de Cuiabá-MT).

As faixas questionavam o investimento de R$ 84 milhões feito para a reforma do aeroporto e os interesses por trás da tal medida, uma vez que, conforme a avaliação do segundo trimestre de 2017, o aeroporto obteve pela primeira vez uma nota superior a 4 no grau de satisfação dos passageiros. 

Em junho deste ano, o Governo Federal anunciou um estudo para privatizar a Infraero, incluindo a venda de partes da empresa e a concessão em blocos de aeroportos. No caso de Mato Grosso, se trata do principal aeroporto em Várzea Grande, com os aeroportos regionais de Alta Floresta, Barra do Garças, Rondonópolis e Sinop.

O presidente regional do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Denelson Aparecido Furnaletto, critica a privatização feita em outros aeroportos, que foram devolvidos por falta de pagamento e inclusive se encontram com débitos de superfaturamento nas obras.

“Estão tentando privatizar os aeroportos do interior [de Mato Grosso]. Esse aeroporto [Marechal Rondon] até pouco tempo deficitário, está começando a dar lucro agora. Quem compra quer lucrar, se não der dinheiro aqui, consequentemente não vão manter os aeroportos do interior. Vai acontecer o mesmo que está acontecendo com o [aeroporto de] Viracorpo, vão acabar devolvendo”, explicou.

Representando cerca de 80 servidores, Furnaletto ressalta que há tempos a Infraero vem fazendo a demissão de funcionários e que a atual garantia de emprego tem prazo em contagem regressiva. “Nós temos um acordo coletivo de estabilidade até o ano de 2020. Mas a partir daí a gente não sabe o que a Infraero pensa em fazer com os funcionários”, lamenta o sindicalista.

À população, o sindicato aponta que a privatização poderá acarretar ao aumento de tarifas de embarque, na qual o doméstico ficaria 45% mais caro e o internacional 65%. As filas de espera no embarque também teriam um aumento substancial, além de taxas de hangares, pouso de decolagem e a implantação de taxas de conexão.

“O consumidor deve sentir no bolso futuramente. Tudo é colocado no custo, se sobe a tarifa aqui, eles aumentam a passagem para os consumidores”, alerta Denelson.

Secretário nacional de Aviação Civil do Ministério dos Transportes,
Darío Lopes, negou que projeto do Governo trata de privatização 

O secretário nacional de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, Darío Lopes, esteve nesta tarde em Cuiabá e negou que haja projeto de privatização da Infraero. Ele afirmou que a medida se trata de uma concessão.

“Não há projeto de privatização da empresa. O que há é um projeto que está sendo colocado em marcha, e ele vai continuar, de concessão de algumas unidades. Para o Ministério dos Transportes o Brasil não pode abrir mão de uma estrutura pública de gestão aeroportuária. Nós não queremos entregar para a iniciativa privada a gestão aeroportuária, nós queremos trazer a iniciativa privada para fazer a gestão de um ativo que é público”, defendeu o secretário.

Darío Lopes explica que a necessidade de se ter a iniciativa privada na gestão dos aeroportos é para garantir os investimentos. “Nós colocamos R$ 84 milhões aqui e deu uma melhorada. Agora estamos tentando colocar de R$ 1,75 bilhão, para investir no conjunto de aeroportos. Acontece que o Governo não tem esse dinheiro, se somar tudo que precisa para todos os aeroportos o Governo não dispõe desse dinheiro. Nós temos que trazer a iniciativa privada para a garantia de investimentos”, expõe.

Contudo , o presidente da Sina-MT não considera os argumentos de concessão. “Entregar o patrimônio público para a iniciativa privada é uma privatização”, diz enfático. Ao finalizar o representante dos servidores afirma que irão se manifestar até o fim. “A gente vai luta contra essa privatização. Não vamos deixar de lutar, iremos até o fim”, ressaltou.

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