Cidades

Funcionários denunciam suspensão de cirurgias e demissão em massa

Funcionários do Hospital Regional de Cáceres (217 km distante de Cuiabá) denunciaram suposta suspensão de cirurgias eletivas para pacientes com câncer e demissão em massa do quadro de funcionários contratados.

Segundo a denúncia, a decisão partiu do novo diretor-clínico geral, Hernandes Coutinho, que encaminhou ofício sobre as medidas a pedido do Governo do Estado. Agora, pacientes em estado grave correm o risco de morrer, pois todos os procedimentos do ambulatório de oncologia, inclusive os que já estavam marcados com antecedência, também teriam sido suspensos.

O ofício foi enviado à empresa Scot Serviços Cacerense de Ortopedia e Traumatocologia, que está em nome do ex-diretor responsável, Francisco Vigo. No documento, Coutinho não específica o real motivo pela tomada de decisão, apenas diz que se tratar de uma medida para evitar transtornos na chegada de pacientes à cidade. (Veja fac-símile abaixo)

Todavia, os profissionais alegam que os demais serviços também irão paralisar em razão das demissões em massa, sem aviso prévio. Além disso, o Estado havia se comprometido em audiência pública recontratar os mesmos funcionários assim que a nova empresa de OSS (Organizações Sociais da Saúde) assumisse a unidade, porém o acordo não foi respeitado e na última segunda-feira (09) a maioria dos profissionais foi pega de surpresa.

“Suspendeu todas as cirurgias de câncer e outras ambulatoriais, suspendeu ambulatórios de especialidades como dermatologia e neurologoia, desprezou as equipes de profissionais que estão no hospital há vários anos. Nem se quer foram chamados para negociar. Foram somente comunicados que equipes de Cuiabá irão assumir os serviços”, disse o médico Eduardo Marques ao Circuito Mato Grosso.

Marques também denunciou que os estagiários da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) estão sendo submetidos a comprar insumos por conta própria para poder auxiliar nos atendimentos.

“Os alunos de medicina da Unemat, se quiserem entrar em cirurgia [acompanhamento], têm que comprar luvas. Só não o fizeram porque professores doaram”, afirma.

Contudo, o oncologista explica que a situação já foi levada a conhecimento de parlamentares da região e até do próprio governador Pedro Taques (PSDB), e espera que alguma providência seja tomada o quanto antes.

“Já solicitamos ajuda dos deputados [estaduais] e esperamos que o governador interceda pelo hospital e pela região, que já é historicamente sofrida. Temos uma história em Cáceres, temos famílias para sustentar, não podemos ter a vida de muitas famílias decididas de cima pra baixo, sem sequer um diálogo”, desabafou.

Outro lado

O Circuito Mato Grosso entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), que encaminhou uma nota esclarecendo que a informação de suspensão das cirurgias não procede e que, assim como esse serviço, todos os outros de responsabilidade do hospital estão sendo realizados normalmente, de modo que também o estoque de materiais é suficiente para 50 dias.

A Secretaria informou ainda que a nova diretoria do Hospital Regional de Cáceres assumiu a administração no início do mês de outubro e que passa por um período de adaptação.

Em contrapartida justificou que por ser de gestão pública o modelo de administração é completamente diferente.

Leia a nota da SES na íntegra:

A direção do Hospital Regional de Cáceres informa que as cirurgias de câncer estão sendo realizadas normalmente. Portanto,  não procede a notícia de que o  serviço havia sido suspenso. Também estão sendo realizados os serviços de Ortopedia, de Neurologia e Dermatológico, sendo que este último passou por análise, pois já é realizado no Hospital Bom Samaritano, mas a atual direção decidiu que será mantido também no Hospital Regional.   

A diretoria informa ainda que o estoque de insumos, tais como luvas e fios cirúrgicos entre outros, é o suficiente para 50 dias.

A nova diretoria do Hospital Regional de Cáceres assumiu a administração da unidade hospitalar neste mês de outubro e passa por um período de adaptação quanto ao perfil de atendimento do hospital.

Além disso, esclarece que por se tratar de uma gestão pública o modelo de administração é diferente da gestão realizada por uma OSS.

 A atual gestão deve cumprir as normas previstas no Decreto 1.073/2017, que preveem procedimento de compra por meio de licitação e não mais de forma direta; a contratação de prestadores de serviço por meio de pessoa jurídica e dos servidores não concursados pelo regime estatutário, conforme o decreto estadual.

Fac-símile do ofício:

Redação

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