Cidades

Fila e caos na Farmácia de Alto Custo em Cuiabá

A novela do caos da saúde perdura no Estado. O drama agora é relativo às reclamações sobre a Farmácia de Alto Custo, que está dificultando o acesso pela rede pública aos tratamentos de valor elevado. Além do quadro agravante em decorrência do “descaso”, há servidores que estariam sendo remanejados, numa decisão que interfere diretamente nos serviços ofertados, uma vez que se isso ocorrer os municípios serão afetados e a distribuição pode chegar a inexistir.

Com medo de morrer ou ficar na dependência, pacientes e demais necessitados estão madrugando nas filas à espera de auxílio. O Circuito Mato Grosso esteve na sede da Farmácia de Alto Custo e ouviu diversas reclamações de pessoas que temem pela não viabilização do medicamento e criticam a disposição governo.

Entre as histórias está a do seu Tarcísio Miguel, que mora na capital e tem um filho diagnosticado com esquizofrenia. “Ele toma um remédio muito sério e agressivo, não pode de jeito nenhum ficar sem o medicamento”, disse completamente aflito.

O trabalhador relata que há dias está tentando dar celeridade ao processo para garantir o fornecimento da medicação, mas é quase impossível de ser atendido com dignidade devido às limitações. “Faz vários dias que eu venho tentando fazer essa renovação e fico pensando que vai ter gente que não vai receber o remédio, não sei se a intenção do governo é economizar, mas é isso que me parece porque trata com a maior falta de respeito os cidadãos comuns”, desabafa.

Para Tarcísio, a falta de infraestrutura e a precariedade chegaram ao limite da constatação, uma vez que os próprios pacientes estão apelando para sobreviver contando com a solidariedade recíproca. “Semana passada eu cheguei aqui e até tinha uma senha, mas veio uma senhora de Vila Bela precisando do remédio urgente; até cedi. Já que o governo não faz as coisas certas, ao menos nós cidadãos podemos fazer ajudando uns aos outros”.

Dona Marilene Félix Ladeira realizou transplante de rim há pouco tempo. Ela viajou cerca três horas para chegar até à capital e teme por uma possível recusa de seu medicamento em específico. “Eu tomo Tracolimo, que é imunossupressor, e eu não posso ficar sem. Tomo dois miligramas de manhã e um à noite e se não conseguir hoje é perigoso dar rejeição e eu perder o transplante. Estou aqui desde cedo”, diz preocupada.

Dona Sebastiana Nunes Pacheco tem 74 anos, mora em Cáceres (300 km da Capital) e disse que “não aguenta mais” viver nessas condições. Há dez anos ela faz esse percurso. “Nem dormi de noite, saí à meia-noite da minha cidade, amanheci na rodoviária, chega estou pesada de sono. Vim pegar remédio para o meu filho, mas não estou mais aguentando. Estou preocupada de não conseguir renovar”.  

Saída de empresa deixou “buraco” no Estado

A empresa terceirizada RV Ímola, que mantinha os serviços de assistência básica à farmácia, não aceitou manter o contrato aditivo com o Estado. Mesmo sabendo dessa possibilidade, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) não teria se preparado para tampar o “buraco” e da noite para o dia perdeu praticamente 95% de seus colaboradores comissionados, segundo apurou a reportagem.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da SES-MT que, em nota, negou a falta de atendimento e afirmou que os pacientes estão sendo recebidos pela devida ordem de chegada, sem necessidade de sair de suas casas no período da madrugada.

Em relação ao recadastramento, a secretaria frisa que faz parte de um processo do conjunto de melhoria, cuja determinação é para seguir todas as normas previstas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Sobre remanejamento de funcionários, a assessoria não soube informar.

Foto: Karollen Nadeska 
Foto: Karollen Nadeska 

 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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