Cidades

Familiares dizem que vítimas na Grande SP não eram criminosas

Angela de Souza, mulher de um dos homens mortos nos ataques (Foto: Marcio Pinho/G1)

 

Famílias das vítimas dos ataques que deixaram 19 mortos em Barueri, Osasco e Itapevi na noite de quinta-feira (13) foram ao IML de Osasco para liberar os corpos na manhã desta sexta-feira (14). Em desespero, os familiares diziam-se revoltados com a falta de segurança em seus bairros e que seus parentes não tinham qualquer ligação com o mundo do crime.

O prefeito de Osasco, Jorge Lapa, afirmou que o alvo dos ataques podem ter sido pessoas com antecedentes criminais. “Alguns vídeos que temos visto mostram que eles entraram encapuzadas, perguntaram se as pessoas tinha antecendentes e atiravam nas que tinham”.

Pelo menos 19 pessoas morreram na noite de quinta-feira (13). Os ataques aconteceram em dez pontos diferentes de Barueri e Osasco. Ninguém foi preso pelos crimes. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cancelou sua agenda e vai se reunir ainda na manhã desta sexta-feira (14) com o secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, para avaliarem uma possível força-tarefa na região, segundo a assessoria do governo.

Os ataques começaram às 20h30, em um bar no Jardim Munhoz Júnior, em Osasco, já perto do limite com Barueri.

"Ele estava no lugar errado, na hora errada", afirmou Angela Maria de Souza, de 30 anos, mulher da vítima Jonas dos Santos Soares, de 33 anos. Eles eram casados há 12 anos e têm três filhas, uma de 7, uma de 6 e outra de 4 anos.

Ela conta que o marido trabalhava como operador de máquinas e estava de folga na quinta. Decidiu ir ao bar na Rua Astor Palamin, quase em frente a sua casa, no Jardim Helena Maria, em Osasco. Angela ainda pediu para o marido entrar, mas ele quis ficar um pouco mais com o amigo Igor. "Eram umas 7 da noite quando eu ouvi os tiros. Minha amiga falou que era com o Jonas e eu não podia acreditar. Ele não tinha nenhum motivo para ser escolhido", disse informando que Jonas não tinha antecedentes criminais.

Ela diz querer Justiça, mas confiar mais na "Justiça de Deus". "Aqui vão deixar por isso mesmo, mas a Justiça de Deus eu vou esperar", disse. A mãe dela, Cícera Pereira, complementou: "Vai ficar só na estatística", disse.

A família se queixou ainda do descaso em relação ao corpo do marido e disse que a polícia apenas cercou o local, mas que o IML chegou apenas às 10h desta sexta.

Jean Lopes dos Santos, companheiro de um dos mortos nos ataques  (Foto: Marcio Pinho/G1)

 

Outra vítima foi Eduardo Oliveira dos Santos, de 41 anos, que estava do lado de fora do bar onde dez pessoas foram mortas no bairro Jardim Munhoz Júnior, também em Osasco. O companheiro dele, Jean Fábio Lopes dos Santos, de 34 anos, conta que saiu mais cedo da lanchonete onde trabalha após ser alertado da morte de Eduardo por uma amiga.

"Foi uma cena muito chocante chegar lá e ver ele morto. É difícil de entender. Ele era uma pessoa super tranquila", afirmou Jean.

Ele conta que Eduardo era artesão e que seus pais já tinham morrido. Diz também que a vítima não tinha antecedentes criminais.

 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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