Três empresas vinculadas ao ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correia, receberam R$ 82 milhões em contratos com o governo do Estado entre 2011 e 2018. O número é de levantamento feito pela Controladoria Geral do Estado (CGE) por meio do Fiplan, sistema de prestação de contas públicas, e que resultou na Operação Sangria deflagrada na Defaz (Delegacia Fazendária) nesta terça-feira (18). Huark Douglas foi preso pela operação.
As empresas envolvidas no suposto esquema são Qualycare Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar Ltda., Sociedade Mato-grossense de Assistência em Medicina Interna Ltda. EPP (Proclin) e Prox Participações. Conforme a controladoria, elas foram contratadas para serviços hospitalares, principalmente os de UTI, UTI móvel e Home Care, prestados aos hospitais regionais administrados pelo Estado e a hospitais conveniados ao MT Saúde, programa que cobre os serviços de assistência privada aos servidores públicos.
Os serviços teriam sobrepreço médio de 50% na comparação ao mercado. A controladoria afirma haver indícios de que eles foram negociados sem a lavratura de contratos, tiveram fiscalização deficiente, e falta de documentação comprobatória dos gastos.
A reportagem publicada em setembro pelo Circuito Mato Grosso, com base em documentos da CPI da Saúde, mostra a relação do ex-secretário Huark Douglas Correia com as empresas com contrato com entidades públicas.
O presidente da CPI da Saúde, vereador Abílio Júnior (PSC), diz que há irregularidades com a permanência de Huark Correia na posição de secretário. O conflito está ligação do médico com o Grupo Prox, que tem duas empresas em sua composição das quais o Huark tem ligação direta, a ProClin e QualyCare. E haveria indício de que ele já pode ter se beneficiado da posição privilegiada.
O vinculo de Huark Correia com Grupo Prox começou em 2015, quando foi nomeado como procurador da ProClin, com acesso ilimitado de atividades dentro da empresa. Segundo Abílio Júnior, a liberdade de Huark a partir de sua posição o validava até a “vender a empresa se quisesse”.
Na procuração autorizada pelo cartório do 2º ofício, a ProClin, que aparece com o nome Sociedade Mato-grossense de Assistência em Medicina Interna Ltda., libera o médico a “abrir, movimentar e encerrar” contas bancárias, além de comprar, vender, negociar e transferir ações no mercado.
Um mês mais tarde, Huark foi nomeado como diretor técnico da Empresa Cuiabana de Saúde Pública por meio do decreto 5.751, que alterou outro de decreto, de janeiro de 2015, para fins de alteração de membros da diretoria da Empresa Cuiabana, responsável pela administração do São Benedito. As atividades oficiais de choque com a administração pública tiveram início em janeiro de 2016.
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