Cidades

Em mês de prevenção da AIDS, soropositivos demonstram preocupação com os jovens

Em 2008 Eduardo* foi realizar um exame de rotina para saber se tinha algum tipo de hepatite. Ele estava totalmente despreocupado, mas 30 dias após os procedimentos ele foi chamado para conversar com uma assistente social. Eduardo  tinha o vírus do HIV.

O Brasil está completando 30 anos de luta contra o HIV e AIDS e conforme o Ministério da Saúde foram registradas quedas nas mortes em decorrência da doença. Em contrapartida, de acordo com a Secretaria do Estado de Saúde (SES) os casos de infecção por HIV têm aumentado na população mato-grossense, com um aumento significativo entre os jovens de 13 a 19 anos de idade.

“Pela a carga viral, eu já tinha o vírus há uns dois ou três anos, olhando para trás eu vejo que contrai em uma das minhas primeiras relações sexuais. Foi um baque, fui pego de surpresa, confesso que meu mundo caiu”, contou Eduardo ao Circuito Mato Grosso.

Ele relata que não teve sintomas antes da descoberta da doença, mas após tantos anos tomando os remédios, hoje, entre os efeitos colaterais estão a falha na memória e problemas de cálcio no corpo. “Eles apareceram ao longo prazo”, esclareceu.

Ele teve muito medo em contar para a família, mas foi nela em que encontrou a maior rede de apoio e compreensão. Contou que sofreu preconceito das pessoas com que se relacionava e que muitos amigos se afastaram após a descoberta.

Ao contrário de Eduardo, aos 33 anos Jorge* apresentava alguns sintomas da doença, mas não identificava, ele diz que não tinha conhecimentos. Em junho de 2005 ele tinha gastrite, que se transformou em úlcera, perda de cabelo, infecções frequentes na garganta, imunidade baixa, muitos casos de gripe e o emagrecimento visível.

“Antigamente era mais complicado, demorava mais para ter os resultados dos exames. Eu comecei a tomar a medicação necessária só em fevereiro de 2006. Quando eu descobri, não era nada que eu queria ter, mas eu aceitei aquilo. Tinha medicação, mas eram muito pesadas. As de hoje são mais leves, menos tóxicas, as pessoas que tomaram o coquetel, quando ele surgiu, sofreram bastante”, relatou Jorge.

Hoje, aos 46 anos de idade, ele conta que no ápice da doença chegou a pesar 42 quilos, quando seu peso normal é cerca de 70 Kg. “A garotada de hoje brinca com isso, acha que não precisa se proteger e é só tomar a medicação. Não é só o remédio, tem as complicações. De três anos para cá, eu comecei a ter alterações no colesterol por causa dos remédios”, relatou também que teve um período com vários tipos de infecções na garganta, ouvido e urinária.

“Eu aceitei que estava doente e decidi que eu queria viver, fazer outras coisas. Eu queria viajar, passear, eu não iria me entregar”, narrou Jorge.

Ambos demonstram muita preocupação com o aumento de casos em Mato Grosso, principalmente com os jovens. “Eu vejo isso com bastante preocupação e uma certa tristeza. Essas pessoas não sabem no que estão se metendo, elas acreditam que se pegar a doença vai bastar tomar umas ‘pilulazinhas’ que está ótimo”, disse Jorge.

Eduardo diz que ao ver pessoas que contraíram o vírus recentemente demonstram que está tudo bem, mas ele reforça que não são só uns remédios, tem os efeitos colaterais e o emocional do paciente também é muito afetado. “Não é nada fácil”.

Os dois rapazes apontam falta de informação entre o povo e falta de políticas públicas que informem e realmente ajudem a prevenir novos casos. “Os jovens acham que ninguém morre de AIDS hoje em dia”, declarou Eduardo.

“O governo não está muito ligado nisso. Ele não mostra para as pessoas, não informa. Tem que ir dentro das escolas, as pessoas devem ser informadas”.

Em Cuiabá

A coordenadora técnica do Programa IST AIDS e Hepatites Virais, da Secretaria Municipal de Saúde, Mariella Padilha explica que o programa é vinculado ao Ministério da Saúde e foi criado no intuito de desenvolver as ações de prevenção e promoção a saúde, no combate a todas as infecções sexualmente transmissíveis (IST) e hepatites virais.

Eles dizem realizar acompanhamentos com as pessoas que possuem o vírus e outras ISTs. “Nós disponibilizamos a medicação de forma gratuita e realizamos acompanhamento com médicos, entre psicólogos, pediatras, infectologistas e assistentes sociais.

Mariella diz que estão aumentando sim os casos de HIV em Cuiabá. Em outubro foram notificados 51 novos casos no município. “Um dado bem alarmante”, apontou.

“Em contrapartida as pessoas estão procurando mais os serviços e conhecendo mais seu estado sorológico. Quanto mais pessoas souberem que tem o vírus, mais rápido entra a medicação e ele pode nunca desenvolver a AIDS”.

Ela aponta que atualmente as pessoas não se previnem e os casos acontecem mais entre os homens, e a faixa etária com mais riscos estão entre os 25 e 39 anos.

Em Mato Grosso

Conforme a SES, em 2017 o percentual de casos foram 71,9% entre os homens, 626 em números, e entre as mulheres totalizaram 28,1% ou seja 245 casos, em todo o estado. O sexo masculino tem2,5 mais chances de se infectar com o vírus do HIV.

Todas as faixas etárias demonstraram aumentar na taxa de detecção de casos de HIV. O maior deles está entre os jovens de 20 a 29 anos, sendo 52,7/100.000 habitantes. Também aumentou entre os de 30 a 39 anos, são 46,8/100.000 habitantes. A SES ressalta o aumento significativo entre os jovens de 13 a 19 anos.

A pasta sugere que para o aumento de casos ainda existe falta de conhecimento da população e por ser uma doença silenciosa, muitas pessoas não conhecem a magnitude da epidemia no país. Fazendo com que a população não se previna nas relações sexuais ou compartilhem seringas entre outros materiais potencialmente contaminados.

O vírus e a doença

Muitas pessoas ainda acreditam que o vírus do HIV e a AIDS são a mesma coisa. O Circuito esclarece que o HIV é um vírus que ataca o sistema imunológico do paciente e destrói os glóbulos brancos. Nem todos com o contém o vírus desenvolve a AIDS, e o HIV não tem cura, apenas tratamentos que ajudam a garantir uma qualidade de vida.

O HIV é a porta de entrada para doenças oportunistas e quando o organismo chega em um estágio mais avançada do vírus, acaba desenvolvendo a AIDS. É sempre importante realizar os testes e se proteger para não pegar o vírus.

Assim pega:

Sexo vaginal sem camisinha;

Sexo anal sem camisinha;

Sexo oral sem camisinha;

Uso de seringa por mais de uma pessoa;

Transfusão de sangue contaminado;

Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;

Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Assim não pega:

Sexo desde que se use corretamente a camisinha;

Masturbação a dois;

Beijo no rosto ou na boca;

Suor e lágrima;

Picada de inseto;

Aperto de mão ou abraço;

Sabonete/toalha/lençóis;

Talheres/copos;

Assento de ônibus;

Piscina;

Banheiro;

Doação de sangue;

Pelo ar.

 

 

* Os nomes dos personagens são fícticios para preservar a imagem dos envolvidos

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Cidades

Fifa confirma e Valcke não vem ao Brasil no dia 12

 Na visita, Valcke iria a três estádios da Copa: Arena Pernambuco, na segunda-feira, Estádio Nacional Mané Garrincha, na terça, e
Cidades

Brasileiros usam 15 bi de sacolas plásticas por ano

Dar uma destinação adequada a essas sacolas e incentivar o uso das chamadas ecobags tem sido prioridade em muitos países.