O advogado Pedro Jorge Zamar Taques e os empresários José Kobori e Roque Anildo Renheimer deverão permanecer presos por suposto envolvimento em desvios de R$ 27,7 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Em sessão plenária na tarde desta quinta (26), 13 desembargadores votaram por não conceder o habeas corpus. Somente um foi contra. A votação aconteceu no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Os habeas corpus dos empresários receberam 13 votos no sentido de manter a prisão. Somente o desembargador Sebastião Moraes foi contrário o entendimento geral. Já no caso do advogado, todos foram unânimes por nega a liberdade.
Pedro, Roque e Kobori respondem pelos crimes de constituição de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. Denunciados no dia 16 de maio, eles são investigados por supostas irregularidades no contrato firmado entre a EIG Mercados com o Detran. O réu foi presidente da empresa até meados de 2016.
De acordo com o Ministério Público Estadual, O dinheiro era então "lavado" em uma segunda empresa, a Santos Treinamento, que tinha uma parceria com a EIG. Roque era um dos sócios desta empresa.
O desembargador José Zuquim, relator do processo na Bereré na segunda instância, reiterou a sua decisão que decretou a prisão preventiva de Kobori e de outros quatro réus da Bereré. O magistrado apontou que há o risco do empresário continuar na prática delituosa se ficar em liberdade. Zuquim destacou também que há o risco da ordem pública.
Após a leitura do voto no caso de Kobori, sete desembargadores votaram com Zuquim. No oitavo, houve a primeira negativa. O desembargador Sebastião Moreaes afirmou que não estão os presentes requisitos da prisão preventiva, como apontou o colega relator, e questionou se a delação já consagra a autoria dos crimes.
Sebastião chegou a citar oito motivos para ir contra o entendimento de Zuquim, como o fato de Kobori ser réu primário e não ser servidor público, bem como os fatos do crime terem ocorrido em 2013 e a denúncia ser ofertada em 2018. Contudo, ele foi voto vencido pelos demais desembargadores.
Assim, Kobori, Pedro e Roque deverão permanecer presos no Centro de Custódia da Capital. Além deles, o advogado Paulo Cesar Zamar Taques e o deputado estadual Mauro Savi. Eles estão há quase três meses na cadeia.


