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Delação no STJ: Juarez Costa é acusado de receber R$ 30 milhões e uma BMW em esquema de propina

Executivos de empresa de saneamento detalham pagamentos ao então prefeito de Sinop; esquema envolveria dinheiro vivo entregue em Balneário Camboriú e notas frias em postos de gasolina

O deputado federal e ex-prefeito de Sinop, Juarez Costa (Republicanos), foi apontado em delações premiadas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) como beneficiário de um megaesquema de corrupção. Segundo executivos da Aegea, líder no setor privado de saneamento básico, o parlamentar teria recebido R$ 30 milhões e um carro de luxo (BMW) em propina durante sua gestão no Executivo municipal (2009 a 2016).

As informações foram reveladas nesta terça-feira (16) pelo Portal Metrópoles. As colaborações premiadas foram firmadas entre 2020 e 2021, mas homologadas pelo STJ apenas em 2025, sob a relatoria do ministro Mauro Campbell.

Até o momento, o deputado federal não se manifestou sobre as acusações.

Leis sob medida e o pedido da BMW

De acordo com a reportagem original, assinada pelo jornalista Eduardo Militão, o ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo, confessou aos procuradores que autorizou repasses milionários a Juarez Costa até o ano de 2018 para o pagamento de dívidas de campanha. Em contrapartida, o então prefeito teria alterado regras e criado leis municipais para beneficiar a concessionária em Sinop.

  • O carro de luxo: Amadeo relatou que, em 2014, Juarez exigiu uma BMW como parte do pagamento da propina.
  • A engenharia da compra: O ex-diretor financeiro da Aegea, Flávio Crivellari, corroborou a versão e detalhou que o veículo custou R$ 330 mil na época (cerca de R$ 625 mil em valores corrigidos). O carro teria sido adquirido e transferido por meio do operador Eduardo Valdívia, um consultor terceirizado.

Malotes de dinheiro na praia e contratos superfaturados

O ex-diretor administrativo da companhia, Felipe Bueno Marcondes Ferraz, afirmou ter operado o “caixa 2” do ex-prefeito a partir de 2015. A logística do esquema envolvia três emissários de Juarez, que retiravam o dinheiro em espécie na sede da empresa em São Paulo, além de entregas em Cuiabá e Santa Catarina.

  • Ponto de encontro em SC: Ferraz detalhou que, entre 2015 e 2016, cerca de R$ 1,2 milhão em espécie foi entregue a intermediários de Juarez em Balneário Camboriú. As entregas ocorriam na esquina da Avenida Brasil com a Rua 3.300.
  • Empreiteira de fachada: As investigações apontam que a empresa RJD Construções prestava serviços à Aegea com um sobrepreço de 20%. O excedente era repassado ao prefeito. Como a RJD recebeu R$ 23,5 milhões no período, calcula-se que R$ 4,7 milhões tenham abastecido o esquema. (Esse modus operandi já havia sido alvo da Operação Sorrelfa, do Ministério Público de Mato Grosso, em 2016).

Postos de combustíveis e notas frias

Outro núcleo do esquema foi detalhado por Mário Roberto Amorim Baltar, ex-responsável comercial da Aegea e interlocutor direto de Juarez em Sinop. Ele revelou ter recebido pedidos que somaram exatos R$ 3.083.275,00 para bancar despesas de campanha entre 2013 e 2014.

Para esquentar a saída do dinheiro e mascarar os repasses, a concessionária simulou a compra de combustíveis em postos de Sinop.

Segundo os delatores, os próprios estabelecimentos foram indicados pelo prefeito. Os depósitos fraudulentos foram fracionados e realizados por duas empresas do grupo de saneamento: Águas de Guariroba e Nascentes do Xingu, utilizando a Foccos Engenharia para solicitar os adiantamentos que nutriam o sistema de pagamentos.

Lucas Bellinello

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