Mais uma suposta lista de propina da Odebrecht é revelada, e dessa vez, entre os acusados está o ex-governador mato-grossense e já falecido, Dante de Oliveira. O suborno recebido por Dante, que teria o apelido de "Ceguinho", estaria relacionado a obras de canais em Cuiabá, durante seu mandato como prefeito.
Em reportagem publicada hoje, o site UOL Notícias afirma ter tido acesso a quase 400 documentos internos da empreiteira, obtida por meio de Conceição Andrade, ex-funcionária da Odebrecht. A maioria datada de 1988, detalhando remessas e propinas a diversos políticos, como no esquema divulgado pela Lava Jato na terça-feira (22), com utilização de codinomes para os receptores dos pagamentos e as propinas calculadas a partir de percentuais dos valores de obras da empreiteira nas quais os agentes públicos estavam envolvidos.
Um dos nomes que aparecem é do já falecido ex-deputado federal e governador do Mato Grosso, Dante Oliveira (1952-2006), que ficou famoso como o autor do projeto que pedia eleições diretas para presidente nos anos 1980. Nas planilhas, Dante teria o apelido de "Ceguinho" e estaria relacionado a obras de canais em Cuiabá, onde foi prefeito por três mandatos.
Outros políticos que fariam parte do esquema são Antonio Imbassahy (PSDB), atual deputado federal; Arthur Virgílio (PSDB), prefeito de Manaus; Jader Barbalho (PMDB) senador, ligado à obra da BR-163, no Pará; senador Edison Lobão (PMDB) ex-ministro de Minas e Energia; Fernando Collor de Mello recém-desfiliado do PTB; Aroldo Cedraz, atual presidente do TCU (Tribunal de Contas da União). E os filhos do ex-presidente José Sarney, Fernando e José Filho e Roseana Sarney.
"O esquema naquela época era mais ou menos como esse divulgado essa semana, só não tão organizado assim. Esse esquema de propina, de fraudar licitações, sempre existiu na empresa. Aliás em todas as grandes, o esquema sempre foi esse", explica Conceição Andrade, ex-funcionária da empresa e que trabalhou no departamento responsável pelos pagamentos – a antecessora de Maria Lúcia Tavares, que delatou o esquema atual na Lava Jato.
Segundo o UOL, os documentos mostram que, durante o mandato presidencial de José Sarney (1985-1990), procedimentos bem semelhantes aos apontados pelos investigadores da Lava Jato envolviam 516 agentes públicos, empresários, empresas, instituições e políticos. Entre eles, há ex-ministros, senadores, deputados, governadores, integrantes de partidos como PSDB, PMDB e PFL (atual DEM).
“É preciso traçar um paralelo, mostrar que isso é antigo. Alguns desses crimes podem até estar prescritos, mas isso tudo mostra que o esquema vem de bem antes. A saída é reforma, não é demonizar o PT", explica Conceição.
Com informações de UOL Notícias


