Enquanto Mato Grosso registra crescimento na taxa de ocupação de leitos hospitalares, o Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) acompanha cerca de 20 denúncias relacionadas a escassez de pessoal e a cargas exaustivas de trabalho, levantadas nos últimos 30 dias de fiscalização em unidades de saúde do Estado. Os resultados mostram que a desorganização das equipes de enfermagem está se agravando com a pandemia.
Nesta segunda-feira (15) foi fiscalizada a UPA do bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, onde foi constatado desfalques na equipe.
A Enfermeira Responsável Técnica pela unidade informou que já solicitou a contratação ou remanejamento, em caráter de urgência, de nove técnicos e quatro enfermeiros e, devido à sobrecarga de trabalho, os profissionais não estão aceitando novos plantões.
No Hospital Regional de Rondonópolis, o desfalque na equipe registrado pela fiscalização foi causado por um problema pontual, o afastamento de quatro profissionais, dos quais um teria sido liberado ontem para voltar ao trabalho. Segundo informações da Enfermeira Responsável Técnica pela instituição, já foi solicitada a contratação de 10 enfermeiros e 30 técnicos.
Os profissionais pediram também à SES-MT um laudo atestando a qualidade da máscara N95 recebida no local. A situação se torna ainda mais complicada porque, dos 34 profissionais de enfermagem treinados para atuar no hospital, 20 desistiram de assumir seus postos.
Parâmetros
O conselho alerta que o esgotamento físico e emocional da categoria contribui para reduzir a imunidade e facilitar a contaminação e cobra a adoção de parâmetros mínimos para a composição das equipes de enfermagem.
Segundo o Observatório da Enfermagem, em todo o país, já são 19.257 casos reportados da doença, 267 deles em Mato Grosso. Dos 196 óbitos, quatro aconteceram no Estado, uma realidade que impacta o sistema de saúde e o serviço à população.
Em relação às UPAs, o conselho cobra que sejam seguidas as recomendações do Cofen, através da resolução 543/2017, do (acesse o documento aqui: https://bit.ly/37KJ6OB), que estabelece o mínimo de um profissional de enfermagem para cada seis pacientes que precisam de cuidados mínimos; um para cada quatro pacientes de cuidados intermediários e um para cada 2,4 pacientes, nos situações de alta dependência e nas que demandam cuidado intensivo.
Para hospitais, o Coren-MT cobra a aplicação do parecer normativo 002/2020, publicado recentemente pelo Cofen (acesse aqui: https://bit.ly/3hA3g20), que recomenda, para cada 20 leitos, 17 enfermeiros e 33 técnicos ou auxiliares de enfermagem com carga horária semanal de 20 horas, e 11 enfermeiros e 23 técnicos ou auxiliares com carga horária de 30 horas.
Também para cada 20 leitos, o parecer recomenda nove enfermeiros e 19 técnicos/auxiliares com carga horária de 36 horas, oito enfermeiros e 17 técnicos com carga horária de 40 horas e oito enfermeiros e 15 técnicos com carga horária de 44 horas.
A normativa estabelece o mínimo de um enfermeiro para cada oito leitos e de um técnico/auxiliar para cada dois leitos nas Unidades de Tratamento Semi-Intensivo e salas de estabilização, onde são atendidos os pacientes sem risco iminente de morte, que requerem assistência de enfermagem e médica permanente e especializada, que devem contar também com um técnico para serviços de apoio assistencial por turno, a cada oito leitos.
Já nos serviços de UTI, a proporção indicada é de um enfermeiro a cada cinco leitos, um técnico para cada dois leitos e um técnico de apoio assistencial para cada cinco pacientes.
"Desde o início da pandemia, está escancarada a fragilidade do sistema de saúde e a desvalorização da enfermagem. Nesse contexto, temos o subdimensionamento de pessoal, com equipes reduzidas ao mínimo necessário, a ausência de concurso público com a consolidação da precarização, as longas jornadas, a baixa remuneração e a falta de condições mínimas de trabalho", comentou o presidente do Coren-MT, Antônio César Ribeiro.
De acordo com a Secretaria de Saúde de Mato Grosso, somente 56 dos 233 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para pacientes de Covid-19 existentes estão disponíveis, o que representa uma taxa de ocupação de 75,9 %.



