O Pronto Atendimento da Pediatria do Hospital Universitário Julio Müller (HUJ-UFMT) está fechado desde a última quarta-feira (4). Ainda que a direção tenha realizado um processo seletivo de emergência, o Sindicato dos Médicos (Sindmed) aponta que o número de vagas é insuficiente para dar conta do atendimento.
Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (10), o presidente do Sindmed, Adeildo Lucena, afirmou que uma médica pediatra do Jülio Muller procurou o Sindicato na sexta-feira (6), para relatar que os profissionais estavam sobrecarregados e que o corpo médico da ala pediátrica é insuficiente para atender a população.
O médico ainda apontou que o hospital é referência em Mato Grosso em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para neonatal de alto risco, e o fechamento da ala pediátrica compromete a comunidade. “O pediatra no Júlio Müller é responsável pela sala de parto, pela enfermaria, pelo Pronto Atendimento, que fechou. Imagina vocês agora se eu tenho um paciente grave na enfermaria e esse paciente complica?”, questiona.
De acordo com a direção do HUJM, em Mato Grosso existe um verdadeiro estrangulamento na rede assistencial de alto risco, com falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para neonatos.
Em 2019, a Empresa de Serviços Hospitalares (Ebserh) publicou edital para concurso público para preenchimento de vagas oriundas de aposentadorias e exonerações em diversas áreas do HUJM nos últimos anos.
Assim, o concurso se deu em fevereiro e as contratações estão previstas para o meio do ano. Enquanto não houver o preenchimento das vagas, o HUJM disse que conta com a colaboração de todas as unidades envolvidas para que os serviços sejam ofertados de acordo com a contratualização com o SUS.
Contudo, Lucena comenta que as vagas são para 4 médicos, o que seria insuficiente para abrir de fato a ala pediátrica. O ideal seria a contratação de 8 profissionais. Além disso, a ala permaneceria fechada até agosto, contabilizando 5 meses sem atendimento.
“Estamos preocupados com a qualidade da assistência, o risco que as pessoas têm com os serviços funcionando com profissionais insuficientes e para o profissional também”, disse.
O sindicato foi excluído de uma reunião sobre providências referente à falta de pessoal no PA. O advogado do Sindmed, Bruno Álvares, explica que poderá ser realizada uma ação para acelerar o processo de contratações.
“Justifica uma intervenção judicial ou acionarmos o Ministério Público, para que seja autorizado e obrigado a realizar essas contratações emergenciais até que se realize o processo seletivo para contratação efetiva”.
Outro lado
A diretora superintendente do HUJM, Elisabeth Aparecida Furtado de Mendonça, afirmou que a direção irá reajustar a escala para abertura da unidade de atendimento pediátrico do hospital.



