O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) em Cuiabá registrou uma retração de 2,3% em agosto de 2026 na comparação com o mês anterior. Apesar do recuo, o indicador medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) atingiu 103 pontos, mantendo-se na chamada zona de satisfação (acima dos 100 pontos).
Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), a queda momentânea interrompe uma sequência de duas altas consecutivas, ocorridas após o índice passar todo o primeiro semestre em zona de insatisfação. Na comparação com agosto de 2025, quando o Icec marcava apenas 94,1 pontos, o cenário atual representa um crescimento de 6,6%.
Percepção Econômica e Desempenho Interno
A retração de agosto foi sentida em todos os subíndices que compõem o levantamento: o Índice de Condições Atuais caiu 3,7%, o de Expectativa recuou 2,7% e o de Investimento teve leve queda de 0,7%.
A piora na percepção dos lojistas cuiabanos está fortemente atrelada ao cenário macroeconômico:
- 73,4% dos empresários consideram que as Condições Atuais da Economia Brasileira pioraram;
- 65,5% avaliam que o cenário do próprio setor também sofreu deterioração.
Em contrapartida, quando questionados sobre as Condições Atuais da Empresa, o panorama se inverte: 65,2% dos comerciantes afirmam que a situação interna de seus próprios negócios melhorou, sustentando o índice geral na zona de otimismo.
Paradoxo da Cautela: Menos Investimento, Mais Empregos
O comportamento do empresariado local revela uma postura de prudência para o segundo semestre. Enquanto o Nível de Investimento da Empresa caiu abaixo da linha de confiança (passando de 101,8 para 96,1 pontos), a Expectativa de Contratação de Funcionários subiu. Em agosto, 62,5% dos lojistas declararam a intenção de ampliar o quadro de colaboradores, superando os 57,3% registrados em julho.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), classifica o cenário atual como de “otimismo moderado”.
“Os resultados de agosto apontam para um cenário de cautela empresarial em Cuiabá, no qual a deterioração das condições atuais e a retração dos investimentos são parcialmente compensadas pela confiança no desempenho futuro das empresas e pela intenção de ampliar contratações. (…) Os empresários mantêm perspectivas favoráveis, mas adotam maior prudência na realização de novos aportes”, analisou o presidente.
