O Desfecho de Henry Borel: O Júri de Jairinho e Monique
Hoje, 23 de março de 2026, o Brasil assiste ao início do capítulo final de um dos casos mais estarrecedores da crônica policial recente. Cinco anos após a morte do menino Henry Borel, o tribunal do júri finalmente começa a decidir o destino de Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho) e Monique Medeiros. O clima em frente ao Fórum, no centro do Rio de Janeiro, é de vigília e forte apelo popular por justiça.

Resumo do Caso e Acusações
A denúncia do Ministério Público (MPRJ) é contundente e separa as condutas do casal de forma técnica, mas igualmente severa:
| Réu | Principal Acusação | Tese da Acusação |
| Dr. Jairinho | Homicídio Qualificado e Tortura | Agrediu Henry conscientemente, causando 23 lesões fatais. |
| Monique Medeiros | Homicídio por Omissão | Sabia das agressões prévias e omitiu-se de proteger o filho, descumprindo seu dever de “garantidora”. |
A Dor de um Pai e o Peso do Tempo
Para Leniel Borel, o julgamento não é apenas um rito jurídico, mas o ápice de meia década de luto transformado em ativismo. Em sua chegada ao tribunal, ele destacou uma estatística cruel: Henry já passou mais tempo “morto” (5 anos) do que o tempo que teve de convivência com o pai (4 anos).
“A condenação é o mínimo para aqueles dois monstros. Três pessoas entraram vivas no apartamento. Depois, uma criança saiu morta. O que aconteceu com o meu filho naquele apartamento? Acho que eles não vão falar o que ocorreu”, declarou Leniel.
As Provas vs. A Estratégia de Defesa
O julgamento deve se concentrar no embate técnico entre a ciência forense e as alegações de perseguição política/policial:
- O Laudo do IML: É a peça central. Aponta 23 lesões por ação violenta, incluindo laceração hepática e hemorragia interna. Para a acusação, esses danos são incompatíveis com um “acidente doméstico” (como queda da cama), sugerindo um cenário de agressão física intensa.
- Omissão e Conivência: A Polícia Civil sustenta que Monique tinha conhecimento das “sessões de tortura” anteriores e, mesmo assim, manteve a convivência, permitindo o desfecho trágico.
- A Tese da Defesa: O advogado de Jairinho, Fabiano Lopes, aposta em uma estratégia de contestação pericial, alegando que houve manipulação dos laudos por parte de policiais e peritos do IML.
O Que Esperar do Júri Popular
Diferente de um juiz comum, o Júri Popular é composto por sete cidadãos que decidem “com base na sua íntima convicção”. Devido à complexidade e ao número de testemunhas, o julgamento pode durar vários dias.
A importância deste caso foi tamanha que inspirou a Lei Henry Borel (Lei 14.344/22), que tornou o homicídio contra menores de 14 anos um crime hediondo e estabeleceu mecanismos mais rígidos de proteção, equivalentes à Lei Maria da Penha para crianças.



