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“Cidade Verde” de nome, Cuiabá tem apenas 26% de área arborizada e perdeu 17% do verde em três décadas

Pesquisa da UFMT expõe o avanço da impermeabilização sobre a cobertura vegetal da capital; corte de árvores na rua Baltazar Navarro reacende debate sobre arborização urbana.

Cuiabá, conhecida pelo apelido de “Cidade Verde”, tem hoje apenas 26% de área arborizada. O dado é de pesquisa do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e revela uma perda acumulada de 17% das áreas verdes da capital nos últimos 30 anos, segundo dados do MapBiomas. A área desmatada equivale a mais de 55 mil hectares — o mesmo que 714 vezes o Parque Mãe Bonifácia.

O debate voltou à tona esta semana após a retirada de cinco grandes árvores na rua Baltazar Navarro, no bairro Poção. As imagens dos troncos cortados reacenderam o alerta sobre a forma como a capital tem tratado sua arborização urbana.

O avanço da impermeabilização é visível em diferentes regiões da cidade. Em grandes avenidas como a Historiador Rubens de Mendonça, a Isaac Póvoas, trechos da Generoso Ponce e a região da Prainha, é possível percorrer duas ou três quadras sem encontrar uma única árvore nas calçadas. No bairro Consil, pelo menos oito árvores foram cortadas recentemente na rua Oriente Tenuta com rua F, sem nenhuma explicação oficial.

Um dos episódios mais expressivos de perda de arborização ocorreu na avenida do CPA, onde as obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), iniciadas em 2014, resultaram na remoção de mais de 2,5 mil árvores. Apesar da previsão de reposição, dados do governo à época indicaram que menos de 10% das espécies removidas foi efetivamente replantado com sucesso na região. Em praças históricas do centro, como Alencastro, Ipiranga e do Porto, e no entorno do Morro da Luz, árvores centenárias também foram suprimidas ao longo dos anos.

A professora Jaçanan Eloisa Milani, do Departamento de Engenharia Florestal da UFMT, defende que a arborização seja tratada como infraestrutura urbana essencial. “A arborização deve ser integrada ao planejamento urbano como estrutura funcional para tornar as cidades mais sustentáveis, resilientes e menos vulneráveis ao calor extremo”, afirmou.

Em uma das capitais mais quentes do Brasil, árvores adultas ainda são frequentemente tratadas como obstáculos ao desenvolvimento urbano — mesmo diante de seu papel comprovado no conforto térmico, na qualidade do ar e na saúde da população.

Lucas Bellinello

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