Fotos: Ahmad Jarrah
Por Nealla Machado
Um problema endêmico que já acontece há vários anos em Cuiabá, e que sempre aparece no verão, é o do alagamento de algumas regiões da cidade normalmente causado pelas chuvas, e também pela ação desarticulada do homem em relação ao meio ambiente.
Uma dessas áreas mais problemáticas da cidade é o viaduto Jornalista Clóvis Roberto, mais conhecido como viaduto da UFMT, localizado na Avenida Fernando Correia, uma das vias de acesso da cidade. Na segunda-feira (15), devido a um forte temporal, mais uma vez o local passou por alagamento do local, deixando o trânsito obstruído por aproximadamente 40 minutos no inicio da tarde, causando transtorno para os motoristas, como também para o comércio e os moradores do local. Na prática o que acontece é que o escoamento da água das chuvas não ocorre, transformando o local em um ‘rio’.
O problema na região é antigo, por conta da própria urbanização que foi realizada em torno do córrego do Barbado. Entretanto, após a construção e entrega do viaduto, no final do ano de 2013,
parece que o problema piorou, fazendo com que as enchentes se tornassem frequentes, como toda a vez em que acontece alguma chuva mais forte na cidade.
O viaduto foi construído como parte do pacote das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), uma série de obras que seriam realizadas para a Copa do Mundo em Cuiabá no ano de 2014. Orçado em 1,4 bilhão, o VLT é uma das obras mais caras de mobilidade urbana já implantada no país, sendo que muitas obras ainda estão paradas, e as que não estão paradas apresentaram variedades de defeitos após a entrega.
O próprio viaduto da UFMT é uma dessas obras que apresentam defeitos após a entrega. Inicialmente a obra seria inaugurada no primeiro semestre de 2013, mas só foi entregue no final do mesmo ano. As falhas na execução dos pilares que sustentam o elevado foram detectadas antes mesmo de sua inauguração e tiveram que ser corrigidas para fazer o nivelamento das três faixas do viaduto. Outras várias irregularidades foram identificadas na obra, entre elas, que estaria com 80 metros a menos do que foi projetado. Mesmo assim, a falha que provoca mais transtornos a população é o alagamento do local quando acontecem chuvas fortes na cidade.
Em agosto de 2015 foi encomendado pelo Governo do Estado um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para apontar quem é o responsável pelos problemas de alagamento na cabeceira do viaduto. A Prefeitura de Cuiabá e o consórcio VLT Cuiabá atribuem um ao outro a responsabilidade sobre as obras de drenagem que precisam ser feitas no local.


