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Cesta básica recua para R$ 905 em Cuiabá, mas segue quase 10% mais cara que em 2025

Tomate e batata puxaram a queda de preços na semana, mas ainda pesam no acumulado anual; Fecomércio-MT aponta alívio pontual no bolso do consumidor

Pela segunda semana consecutiva, o preço da cesta básica em Cuiabá registrou queda, encerrando o mês de junho com uma redução de 2,17%. Com a retração, o valor médio dos itens essenciais nas prateleiras passou a custar R$ 905,59.

Apesar do alívio imediato no orçamento, o consumidor ainda sente o peso da inflação a longo prazo. Um levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) revelou que a cesta básica segue 9,72% mais cara em comparação à média de R$ 825,38 registrada exatamente no mesmo período do ano passado (2025).

O peso da inflação e o poder de compra

Para o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, a queda de preços na última semana foi impulsionada por uma melhora natural na oferta e no abastecimento de alguns alimentos. No entanto, ele pondera que as fortes pressões inflacionárias impedem uma recuperação real do orçamento doméstico.

“O mês de junho, apesar das oscilações, finaliza com uma melhora nas condições de abastecimento. No entanto, o patamar historicamente elevado e a expressiva variação anual demonstram que as pressões inflacionárias sobre a alimentação permanecem relevantes, limitando uma recuperação mais consistente do poder de compra das famílias”, avaliou Wenceslau.

Vilões e alívios: o sobe e desce das prateleiras

A análise do IPF-MT destrinchou os principais produtos que puxaram a variação da cesta básica para baixo nos últimos dias. O cenário é um reflexo direto do avanço das safras e de fatores climáticos:

  • Tomate: Liderou a queda semanal com um recuo de 13,12%, custando em média R$ 11,62 o quilo. A redução foi motivada pela menor demanda, baixa qualidade de alguns frutos e pelo avanço da safra. Contudo, na comparação com 2025, o tomate ainda acumula uma alta expressiva de 42,42%.
  • Batata: Apresentou redução semanal de 5,33% (custando R$ 9,14/kg), impulsionada pelo bom desempenho da colheita. Apesar da trégua recente, o tubérculo é o grande “vilão” anual: está 74,18% mais caro do que no ano passado.
  • Café: Registrou queda de 3,83%, chegando a R$ 29,27 (pacote de 500g). Entre os itens de maior variação, o café é o único cujo preço atual está mais barato do que em 2025 (uma queda de 14,42%), reflexo do clima favorável e da expectativa de alta na oferta.

Segundo o presidente da entidade, as quedas atuais representam um respiro, mas o processo de normalização dos preços das prateleiras ainda ocorre de forma muito gradual e desigual para o consumidor final.

Lucas Bellinello

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