Cidades

Capivaras aumentam no Parque Tia Nair e risco de acidentes no trânsito também

Você já viu alguma capivara fora do Parque Tia Nair? Já precisou parar seu veículo para a “família” dos animais silvestres atravessar a pista? Já parou seu veículo para tirar fotos dos animais que não estavam dentro do local de lazer? Pois essas cenas estão cada vez mais comuns na capital.

Nenhum acidente foi registrado até o momento, felizmente. Mas é comum os motoristas serem surpreendidos pelas capivaras atravessando a pista. Com uma área de 20 hectares, o parque foi inaugurado em 2015 e os animais sempre viveram ali, tornando-se um atrativo para os visitantes.

Adão conta que sempre vê os animais fora do parque. 

O aposentado Adão Maciel passa toda manhã pela região e conta que sempre vê os animais por ali. “É comum a gente ver, elas sempre estão ali naquela rotatória se alimentando e temos que ter muita atenção porque ‘do nada’ elas atravessam”, disse enquanto chegava no Parque para sua caminhada rotineira.

Para Adão, o perigo maior são com os motociclistas, que muitas vezes são pegos de surpresa pelos animais atravessando. “Seria importante que houvesse placas e sinalização, para que todos vejam que por aqui estamos sujeitos a encontrar com uma delas atravessando a via”, observou.

O empresário Kleybson Wilson passa de quatro a cinco vezes por dia na região. Ele tem uma marmitaria e utiliza a moto como instrumento de trabalho para realizar as entregas. Conta que sempre vê os animais ali e que tem medo de um dia ser surpreendido por um e não conseguir parar a tempo.

“Eu utilizo a moto para trabalho e estou sujeito a ir para o chão todos os dias por vários motivos, um deles são os animais na pista. Nunca precisei parar a moto para elas passarem, mas já vi motorista parando o veículo abruptamente para que uma família atravessasse”, recorda.

Assim como o seu Adão, ele cobra mais sinalização, como placas e quebra-molas para que haja conscientização dos motoristas. “Mas precisa ser em toda a região [sinalização], pois meu pai mesmo passa todos os dias pela avenida ao lado do parque e ali elas passam o tempo todo. É um perigo para todos e é preciso fazer algo para que ninguém se machuque, nem a gente nem os animais”.

O motorista Juliano Alcântara relatou que uma amiga que mora na região passa todos os dias de madrugada em frente ao parque. Ela relatou a Juliano que vê muitos animais por ali e já disse que algo de grave pode acontecer se nada for feito.

“É preciso fazer algo antes que aconteça uma tragédia. Não é legal deixá-las soltas, pois como não há sinalização nada ali que informe que elas podem atravessar a qualquer momento, a gente fica sujeito a tudo. Penso nos motoqueiros, o quanto é perigoso para eles”, avalia.

Visita diária a comerciantes do entorno

Em um registro enviado ao Circuito Mato Grosso, uma família se alimentava em frente à Clínica Fremissant, localizada no Jardim Itália. A grama de frente do local alimentou todas elas e possibilitou o registro de curiosos que passavam por ali.

A fisioterapeuta Ieda Olsen, que trabalha na clínica, disse que os animais em nada atrapalham o comércio da região. Que, muito pelo contrário, acabam atraindo mais clientes que param ali para ver os bichos.

“Eles não atrapalham ninguém daqui. O que a gente percebe é que eles atraem pessoas para cá. Todos param para vê-los, tirar fotos, fazer vídeos, admirar. A maioria é muito dócil e não se afasta quando as pessoas se aproximam”, contou.

Além das capivaras, Ieda conta que lagartos e outros animais costumam circular por ali e que nunca ocorreu nenhum fato que fizesse com que os donos dos comércios, ou clientes, os quisessem longe do local.

“É até mesmo impossível, né? Aqui é o habitat deles, nada mais normal que eles serem vistos. Nunca ocorreu nenhum incidente. Aqui todos gostam muito, pois acabam distraindo a gente também”, disse.

O único receio da fisioterapeuta é de que os animais se machuquem devido à falta de sinalização por parte dos órgãos públicos. Para ela é importante que haja placas informando sobre a presença dos animais e a possibilidade de eles atravessarem a pista.

“Seria importante que fosse sinalizado igual nas estradas, sabe? Com placas informando sobre a presença deles, sobre reduzir a velocidade, pelo menos nesse entorno do parque. Nós ficamos preocupados nesse sentido, pois acaba machucando os animais e os condutores”.

Administração alega que nada pode fazer

O administrador do Parque Tia Nair, Ricardo Fagundes, explica que eles nada podem fazer para impedir que as capivaras escapem. Os portões ficam abertos o tempo todo e mesmo que fiquem fechados, as capivaras são roedores e costumam roer as telas.

“Não somos um local de procriação. Quando instalamos o parque aqui, elas já viviam nesse local. Então o que fazemos é tentar ao máximo que elas fiquem aqui dentro. Como? Quando elas estão na entrada nós as tocamos de volta, quando percebemos que elas estão tentando ir para fora, as tocamos para dentro. E assim vamos tentando, mas nem sempre dá para manter todas, né?”, explicou.

Ricardo não soube informar quantas capivaras há hoje no parque Tia Nair, mas confirma que o número tem crescido bastante.

“Elas se reproduzem muito rápido, então não tem como ter um controle. Até falei com um amigo sobre a castração, mas preciso de uma autorização para que o processo seja feito e ainda não foi solicitado junto aos órgãos responsáveis”, explicou.

O administrador disse ainda que nessa época do ano é comum as pessoas reclamarem e verem mais capivaras fora do parque devido à seca. Como elas se alimentam da grama, em especial, acabam saindo dali para buscar o alimento. Costumam andar em bandos e retornar à área depois de se alimentarem.

“A gente não cria capivara em cativeiro, a gente simplesmente deixa o ambiente propício para elas. Para nós do parque é ótimo, pois elas são um atrativo para a população, então é bom que elas estejam aqui. Elas são dóceis, deixam fazer fotos, mas se amanhã ou depois elas forem retiradas daqui a gente não pode fazer nada”.

Ricardo disse que entende que a responsabilidade sobre os animais é da Polícia Ambiental e que se as pessoas (moradores, motoristas) estão incomodadas com os animais, é preciso ligar para a polícia, porque o Parque não é autorizado a capturá-las.

Um ofício deve ser encaminhado à Prefeitura de Cuiabá pedindo que seja instalada sinalização nas vias, já que a preocupação deles também é sobre os acidentes que podem acontecer, assegurou o administrador.

“Nós também temos a preocupação quanto ao risco de acidentes ser maior aqui por conta dos animais que atravessam as vias. No ano passado falamos com a Prefeitura, mas devido à troca de gestor não obtivemos resposta. Neste ano estaremos encaminhando um ofício pedindo que sejam tomadas medidas para solucionar esse problema”.

Secretaria diz uma coisa e secretário, outra

Ao jornal, a assessoria de imprensa da prefeitura de Cuiabá disse que irá viabilizar um plano o mais rápido possível de manejo desses animais. A parceria deve ser firmada junto aos órgãos de controle ambiental (Sema e Ibama), para controlar a procriação das capivaras por meio da castração e depois um estudo para remoção parcial de alguns animais.

Secretário Juares Silveira Samaniego afirma que irá providenciar sinalização 

Já o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanos, Juares Silveira Samaniego, negou que haja um plano ou ação que viabilize a retirada dos animais. Ele disse que não se pode mexer com as capivaras por elas se tratarem de animais silvestres e que competia ao Ibama realizar qualquer ação.

“Nós não podemos mexer com as capivaras por elas serem animais silvestres. Quem tem que fazer essa ação é o Ibama. Se eles nos convocarem, podemos até participar, mas nem a prefeitura nem a Sema tem autonomia para mexer com animais silvestres”.

O secretário acredita que os animais estão saindo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e indo para o Parque Tia Nair. Segundo ele, o caminho está sendo feito pelas vias, porque quando a região foi estruturada não deixaram uma passagem para o animal chegar até o local.

“A gente entende que esteja aumentando a população de capivaras, você não consegue remanejar porque toda vez que você vai mexer, primeiro que você não pode castrar nem abater. Eu posso até notificar para que eles façam a retirada, mas quem tem que fazer a ação em si é o órgão”, explicou.

O secretário garantiu que irá pedir ao secretário adjunto que faça um levantamento de quantas placas serão necessárias e de que forma será feita a sinalização. Segundo ele, isso não seria problema nenhum.

“A gente pode colocar placas na avenida, instruindo a diminuir a velocidade devido à passagem desses animais, essa providência podemos tomar tranquilamente. Nós ou a secretaria de Mobilidade Urbana, isso é o de menos. Cabe ao município fazer uma sinalização”.

Animais podem transmitir doenças à população

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que uma das preocupações quanto aos animais, além dos casos de acidentes na via, seria também a transmissão da doença Febre Maculosa que ocorre através da picada do carrapato estrela contaminado com a bactéria do gênero Rickettsia (Rickettsia rickettsii), transmitida por carrapatos, presentes na capivara, cachorros, cavalos e outros animais.

Ao picar e se alimentar do sangue, o carrapato transmite a bactéria pela saliva. Mas é necessário um contato entre 6 e 10 horas para que isso aconteça, todavia a picada das larvas deste carrapato também pode transmitir a doença e não é possível identificar o local de sua picada, porque não causa dor, embora seja suficiente para a transmissão da bactéria.

A recomendação é que as pessoas não se aproximem das capivaras, por se tratar de um animal silvestre e podem ocorrer ataques.

Ibama diz que não é responsável por animais

Ao jornal assessoria do Ibama informou por telefone que o órgão não é responsável pela retirada dos animais. Segundo eles, fica a cargo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) a responsabilidade pelo manejo das capivaras.

Sema informa que ainda não foi notificada pelo município

Em nota, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informou que até o presente momento não foi consultada formalmente pela Prefeitura de Cuiabá, que é responsável pela administração do Parque Municipal Tia Nair, sobre a demanda das capivaras que estariam transitando pelo bairro Jardim Itália.

Conforme a Coordenadoria de Fauna da Sema, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente deve inicialmente solicitar ao órgão ambiental uma autorização de manejo de fauna, para que possa realizar um levantamento na região e, a partir daí, que possa apresentar soluções que serão analisadas e aprovadas pela Sema. 

Não cabe à Sema ou ao Batalhão Ambiental o manejo da fauna para este caso, pois não se trata de animais para resgate, já que a região do Parque Tia Nair é o ambiente natural das capivaras. Portanto, outra solução deve ser analisada pelo município para dar resposta ao problema que vem desde 2015, quando o parque foi inaugurado. De qualquer modo, a Sema está à disposição do município para auxiliar nesta tarefa de encontrar alternativas viáveis para a questão.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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