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Bombeiros e Politec atuam em parceria na identificação de causas de incêndios

Recentemente uma empresa de autopeças foi alvo de três incêndios em um curto período de tempo, e o Circuito Mato Grosso buscou junto ao Corpo de Bombeiros e a Perícia oficial de Identificação Técnica (Politec), saber se em tais situações é realizado um laudo onde poderá apontar riscos de novos incêndios ou condenação do espaço.

O Corpo de Bombeiros é o primeiro órgão a ser acionado em casos de incêndio e, no caso da autopeças que se encontra em recuperação judicial, os bombeiros alegam que as três ocorrências tiveram caráter criminal, pelos indícios que foram encontradas no estabelecimento.

O segundo tenente Thiago Soares Reis, do Corpo de Bombeiros que atendeu o chamado do dia 06 de março, a equipe foi acionada por volta das 15h40min para controlar as chamas que novamente atingiam a loja.

“A edificação da empresa está condenada e em uma briga judicial, então desde o primeiro incêndio nem o proprietário pode acessar a edificação. Então, na teoria o bombeiro não teria  outro papel no caso além de controlar o incêndio devido local estar vazio, mas os bombeiros foram lá e realizaram outras vistorias para evitar novos incêndios”.

O tenente Thiago ainda relatou que no dia do último incêndio, o  estavprédio estava fechado, com portas soldadas, sem nenhum acesso livre, porém foi encontrado um buraco na parede, dando a entender que o incêndio foi criminal, e neste sentido, não há como ter uma prevenção a crime.

Ilustração

“A parte elétrica estava desligada, em razão de o local estar interditado, e havia no dia, um foco de incêndio no subsolo e outro foco no segundo pavimento que apagamos rapidamente e tivemos um pouco mais de trabalho no subsolo, porém o acesso na edificação estava muito difícil, pois foram três incêndios em um curto período de tempo”.

“Tanto que as lajes da edificação caíram todas e estava muito perigoso e difícil o acesso, pois o prédio está condenado. Tivemos que trabalhar com muito cuidado para não correr o risco de ceifar a vida de ninguém e depois de controlar o incêndio, o que demorou mais, foi o trabalho de rescaldo”, completou o tenente.

O oficial explicou que a competência do Corpo de Bombeiros é apagar o incêndio, e fazer o relatório de ocorrência, onde descreve o que foi encontrado, a metragem da edificação atingida, e relatório pode ser utilizado por seguradoras caso seja o caso.

Após concluir o relatório de ocorrência, os bombeiros acionam a Defesa Civil, que possui engenheiros para avaliar a edificação e ver se o local está condenado, com risco de desabamento ou liberado.  “Somente a Defesa Civil pode fazer essa avaliação de condenar um edifício ou não, só que no caso da autopeças, ela já estava inacessível, por conta da briga judicial, e a Defesa Civil foi acionada somente para avaliar a condenação da estrutura, e quem sabe uma demolição do local”, explicou Thiago.

 

Três incêndios na mesma empresa

O primeiro incêndio registrado na autopeças, que fica localizada na Avenida Miguel Sutil em Cuiabá, foi registrado no dia 20 de novembro pela madrugada. Segundo a polícia, testemunha acionaram os militares e a equipe do Corpo de Bombeiros após perceberem fumaça saindo do local e chamas no interior da loja.

Cerca de 20 homens do Corpo de Bombeiros atuaram no combate ao incêndio e cinco caminhões com capacidade para 30 mil litros cada, foram utilizados para apagar as chamas.

Menos de três meses após o primeiro incêndio, aconteceu o segundo, sendo registrado no dia 17 de fevereiro, quando transeuntes que passavam pela região perceberam a fumaça e acionaram a equipe do Corpo de Bombeiros que foram até a empresa e conseguiram conter as chamas. 

E o último incêndio foi registrado na quarta-feira de cinzas no período da tarde. Ainda nesta sexta-feira (06) pedestres e motoristas que passavam em frente a loja ligaram para o Corpo de Bombeiros relatando ter visto fumaças saindo da loja.

A assessoria do Corpo de Bombeiros relatou que o chefe de operações após as chamadas solicitou que uma equipe fosse ao local e realizar uma vistoria na empresa,  onde a mesma identificou que não há foco de calor e nem chama na loja.

Foi detectada fumaça e há um monitoramento no local pelo Corpo de Bombeiros com rondas para avaliação de um possível foco de incêndio.

Foto: Divulgação – CBM

 

A atuação da Politec

A Coordenadoria de Perícias Externas da Politec trabalha com quatro gerências, sendo uma de crime de trânsito, outra gerência de crimes contra a vida, uma gerência de crimes contra patrimônio, e a gerência de crimes de meio ambiente e engenharia legal.

O coordenador de perícias externas, Júlio Antonio Razente, relata que a gerência de engenharia legal é o responsável por periciar furtos de energia, de sinal de satélite, equipamentos eletrônicos, parte de engenharia mecânica, desmoronamento, parte de infraestrutura e incêndio em áreas urbanas.

“Realizamos as buscas no local procurando vestígios que possam identificar se a causa foi por motivo natural, por um raio, falha na rede de instalação elétrica ou se houve algum evento criminal”, detalhou.

O perito José Eduardo Fernandes, explicou que o trabalho da perícia é buscar as causas do incêndio,  que podem ser por fenômenos naturais, criminoso, acidental ou causa elétrica.

“Todo incêndio tem uma causa, e procuramos buscar o que deu origem às chamas. O incêndio é considerado uma das perícias mais difíceis de ser realizada, porque geralmente ele consome a própria prova e vestígios, mas ainda assim conseguimos com técnicas levantar muitas informações”, esclareceu.

O perito ainda explicou que a perícia em incêndio tem uma particularidade que é ter que agardar pelo menos dois dias para iniciar os trabalhos por questões de segurança.

“Não se pode iniciar a perícia em algum local quente, ou com fumaça, pois temos que avaliar a estrutura, normalmente tem gases que são gerados após o incêndio, ai é preciso esperar,. Geralmente chegamos para fazer a perícia e o local está em chamas ainda, e aí temos que aguardar para a preservação da vida”, contou José Eduardo.

Júlio ainda completa a fala de José, explicando que em alguns casos, o Corpo de Bombeiros apaga o incêndio, porém o fogo volta com os focos de calor que ainda se mantém no local, “as vezes é preciso buscar um vestígio micro, em um lugar que está na eminência de pegar fogo novamente, então assim, temos que preservar a segurança do perito que vai fazer o trabalho”.

Dependendo do tamanho da estrutura segundo os peritos, a liberação para atuação da Politec parte ou do Corpo de Bombeiros, ou da Defesa Civil, “Em um prédio que fui fazer a perícia foi necessário três dias para realizar o trabalho, fui em um dia não foi possível fazer, fui outro dia, também não deu, e só no terceiro consegui iniciar os trabalhos”, informou José.

O perito detalhou que em alguns casos, o trabalho da perícia se inicia após uma consulta com a equipe do Corpo de Bombeiros que esteve no local e realizou o relatório de ocorrência.

“Nós não baseamos no relatório deles (Corpo de Bombeiros), mas serve para que possamos nortear o nosso laudo, e o laudo da Politec é em cima de vestígios e materiais encontrados no local. Alguns casos o que acontece é o seguinte, para controlar o fogo, o militar pode arrombar uma porta ou janela, e isso poderia ser indício de incêndio criminoso, mas não, é o bombeiro que arrombou para entrar na edificação e dar combate ao incêndio ali, e ai já descaracteriza o que poderia levar você a pensar que foi um incêndio criminoso, mas na verdade foi uma ação necessária para apagar o fogo, ai essa troca de informação fazemos”, descreve o perito José Eduardo.

O perito ainda relatou que após a Politec encerrar o laudo e assinar, já cai no sistema automaticamente para a autoridade requisitante e que será uma peça a ser anexada no processo, que é o inquérito policial.

Júlio enunciou que a perícia de incêndio requer causa de acordo com o que determina o código de processo penal (CPP), “havendo incêndio necessita saber qual a causa, pois para chegar a causa, tem que falar dos efeitos que são os danos, e se busca a causa, o agente ígneo e o foco, que são as três coisas básicas em uma perícia de incêndio”.

Foto: Ilustração
O trabalho pericial

– coletar informações necessárias à prevenção de incêndios, verificando a adequabilidade e o cumprimento das legislações vigentes;

– avaliar os recursos preventivos com vistas a subsidiar o Sistema de Segurança contra Incêndio;

– fornecer informações sobre investigação e perícia de incêndio aos Poderes Públicos e às pessoas físicas ou jurídicas relacionadas com o sinistro.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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