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Bolsonaro vai ao Chile de olho em uma reorganização regional

O presidente Jair Bolsonaro acaba de voltar de uma viagem aos Estados Unidos, mas tem outro compromisso internacional marcado: o brasileiro desembarca no Chile nesta quinta-feira, 21, para reuniões com políticos chilenos e com líderes da América do Sul.

Na pauta, a integração da região — ou a falta dela. Uma reunião está marcada para sexta-feira, 21, para discutir a criação do Prosul (Fórum para o Progresso), projeto de integração que deve substituir a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), paralisada há dois anos.

A ideia é que o Prosul funcione somente como um fórum, com estrutura mais enxuta. Não é a mesma estratégia do Mercosul, que possui vantagens comerciais e não integra todos os países da região (participam somente Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que são fundadores, e a Venezuela).

Mas, no fim, a troca de um organismo pelo outro não é só nominal ou de estrutura, como apontam alguns analistas e diplomatas: a Unasul nasceu em 2008, no auge dos governos de esquerda na América Latina, com grande incentivo do ex-presidente Venezuelano, Hugo Chávez. O Prosul, por sua vez, é encabeçado pelos novos governos de direita de Sebastián Piñera, do Chile, e Iván Duque, da Colômbia.

Também participarão do encontro os presidentes do Paraguai, Mario Abdo, do Peru, Martín Vizcaya e da Argentina, Mauricio Macri. Um convite também foi feito a Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela.

Além da Unasul, Bolsonaro usará os dois dias no Chile para estreitar as relações com os chilenos. O presidente Piñera fará um almoço para Bolsonaro no sábado, 23, e o evento já gerou polêmicas. O presidente do Senado chileno, Jaime Quintana, de um partido de centro-esquerda de oposição ao governo, recusou convite para participar do almoço. “Minha convicção não me permite homenagear aqueles que se manifestam contra minorias sexuais, mulheres e indígenas”, escreveu o congressista no Twitter. Protestos contra a presença de Bolsonaro também estão marcados por grupos de defesa dos direitos humanos chilenos.

Especula-se que, no governo Bolsonaro, a relação Brasil-Chile pode ficar tão forte quanto a já conhecida relação com a Argentina — sobretudo a depender do resultado das eleições argentinas, em outubro. Sinal de novos tempos na América do Sul.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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