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Banco Central estuda restringir Pix de bancos e fintechs vulneráveis a ataques

Quem usa Pix diariamente poderá sentir mudanças no funcionamento do sistema caso o Banco Central (BC) avance com uma nova estratégia de segurança. A autoridade monetária estuda aplicar restrições a bancos e fintechs que não apresentem estrutura considerada suficiente para impedir ataques digitais.

A proposta surge após uma sequência de invasões e tentativas de fraude que atingiram participantes menores do sistema financeiro e empresas responsáveis pela conexão tecnológica com o BC. A preocupação é evitar que falhas isoladas acabem comprometendo a segurança de todo o ecossistema de pagamentos.

Punições e restrições

Entre as medidas avaliadas estão bloqueios para criação de novas chaves Pix, redução de limites de transferência e controle sobre horários de funcionamento para empresas consideradas de maior risco. Em situações extremas, a instituição poderá perder temporariamente o acesso ao sistema.

A mudança representa uma nova etapa na fiscalização. Até então, grande parte das ações do Banco Central estava concentrada no controle de transações suspeitas e na proteção dos usuários após os golpes. Agora, o foco passa a ser cobrar capacidade de defesa das próprias empresas que oferecem o serviço.

O alerta ganhou força depois de ataques que provocaram prejuízos milionários. Um dos casos mais emblemáticos envolveu a C&M Software, empresa que atua na infraestrutura de conexão entre instituições e o sistema do BC, alvo de um ataque que resultou em um desvio estimado em centenas de milhões de reais.

Novo alvo dos criminosos

Especialistas apontam que as quadrilhas mudaram de estratégia. Em vez de tentar invadir os sistemas robustos dos grandes bancos, os ataques miram os elos mais fracos da corrente: empresas de tecnologia integradas à plataforma e instituições financeiras menores.

Nos últimos 12 meses, as fraudes cibernéticas ligadas ao setor financeiro já ultrapassaram a marca de R$ 1,5 bilhão em perdas, aumentando a pressão para que o órgão regulador adote medidas preventivas.

Para o diretor de Administração do BC, Rodrigo Teixeira, a expansão de sistemas como o Pix trouxe benefícios inegáveis para a economia, mas também ampliou a exposição a ameaças digitais.

A avaliação dentro do Banco Central é que a segurança cibernética deixou de ser apenas uma questão de TI e passou a ser um dos pilares de estabilidade do sistema financeiro nacional. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, garantiu que o acompanhamento dos riscos seguirá como prioridade.

Cerco preventivo

Desde que foi lançado, em 2020, o Pix democratizou os serviços financeiros, mas se transformou em chamariz para golpes. O BC já havia criado limites para operações noturnas e o Mecanismo Especial de Devolução (MED), mas agora a postura muda: a ideia é barrar a operação de quem tem baixa proteção antes que o cliente seja lesado.

Para o advogado especialista em regulação financeira Tiago Severo, a medida protege o consumidor, mas exige cautela para não prejudicar a livre concorrência.

“Empresas que participam do Pix terão de investir cada vez mais em tecnologia, auditoria e controle de riscos para permanecer no mercado”, analisou o especialista.

O Banco Central ainda deve ouvir representantes do setor financeiro antes de bater o martelo sobre as regras finais. A expectativa é encontrar um equilíbrio entre o fechamento do cerco contra os ataques e a manutenção da inovação que fez o Pix se tornar um dos principais meios de pagamento do país.

Lucas Bellinello

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