Fotos: Ahmad Jarrah / Circuito Mato Grosso
O prefeito Mauro Mendes (PSB) classificou como equívoco a instalação do protótipo de abrigo de ponto de ônibus na Avenida República do Líbano, em Cuiabá. O modelo apresentado pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) foi duramente criticado pela população e arquitetos do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), pois não atende as necessidades dos usuários do transporte público. O gestor municipal afirmou que adequações já estão sendo tomadas para melhorar o equipamento público.
“Isso foi um equívoco da nossa Secretaria. No mesmo dia comuniquei o secretário Thiago França. Aquilo era um protótipo para ser olhado e validado. Ele não foi aprovado e serão feitas as devidas correções”, garantiu Mendes ao Circuito Mato Grosso.
O prefeito ainda criticou o secretário responsável pela Semob, Thiago França, garantindo que novos abrigos, devidamente adequados, serão instalados.
“Avisei a ele, me apresenta o protótipo primeiro. Quem me viu lá notou a irritação que fiquei quando olhei […] Toma porrada mesmo, quer colocar o carro na frente dos bois. Pedi para que corrigissem a iluminação, pois o ponto tem que ser iluminado. Vai mudar um pouco a estrutura, para ficar mais resistente e o tipo de cobertura. Quer fazer um negócio muito bonito, mas nada prático. Não adianta ser lindo e não ser usado”, afirmou o prefeito.
Protótipo condenado – Na última semana, o Circuito Mato Grosso publicou, no seu portal de notícias, uma matéria que mostrou a insatisfação dos usuários e a análise de arquitetos do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). O modelo de abrigo lançado pela Prefeitura chegou a ser motivo de piada nas redes sociais, pois o material utilizado para a cobertura não protege a população dos raios solares.
Na tarde desta terça-feira (25.08), nossa reportagem flagrou usuários se protegendo dos raios de sol atrás de placas de sinalização, fora do ponto de ônibus.
Segundo o arquiteto e conselheiro do IAB, Abílio Brunini, o protótipo instalado pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Smob) não é o ideal para a realidade do município.
“Serve para a Europa, na Alemanha seria perfeito. Agora, para nós que estamos com a temperatura de 40º e baixa umidade não é a opção ideal”, contestou o arquiteto.
O descontentamento também atinge os usuários, como a economista Nurian Castro, que vai para o trabalho todos os dias utilizando o serviço de transporte público.
“Nunca pensam no usuário, apenas no designer e propaganda. O ponto deveria ter também uma cobertura para a época de chuva. Não tem a percepção que o usuário, tanto no calor quanto na chuva, precisa de um ‘esconderijo’ melhor”, afirmou a usuária.
Brunini aponta diversos erros que colocam em xeque a funcionalidade do protótipo de abrigo. Além do material usado na cobertura, que por ser transparente não protege a população do sol, os assentos também não seguem os padrões de qualidade e conforto, determinados por normas, como da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
“Tem a questão da acessibilidade: um cadeirante se posiciona fora da cobertura do equipamento urbano, não há acesso do cadeirante ao ônibus, já que não fizeram as adequações nas calçadas; a questão da sinalização; falta de proteção para chuva; ergonomia, pela falta de conforto do assento, altura correta e da borda do banco”, apontou Brunini.
De acordo com o IAB, o modelo ideal para a utilização dos usuários deve ter: bom desempenho térmico; materiais que protejam contra radiação solar e chuvas; Altura correta, encosto, acomodação de braços nos assentos; sinalização de acessibilidade; elementos de iluminação, propiciando a utilização no período noturno; adequação do pavimento e sinalização adequada.
Reparos – Após a publicação da nossa reportagem, a equipe da Semob trocou a cobertura do ponto de ônibus para outra cor, porém o material (policarbonato) é o mesmo, não resolvendo o problema de incidência dos raios solares.
Ao todo serão colocados 200 pontos e a meta da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) é que até 2016 sejam implantados 500 abrigos.



