Economia

Associação reclama de falta de diálogo e diz ser contra novo Fethab

O presidente da Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão), Alexandre Schenkel, afirmou ser contra a reativação do Fethab 2 (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), com previsão de aumento de impostos para produtores da área. Schenkel afirma que, diferente do que foi alegado pelo novo governo, em momento algum o setor foi chamado para discutir uma nova contribuição do agronegócio. 

 “Ficamos sabendo dessa nova proposta pela imprensa e não é justo com o setor que está sendo eficiente e contribui tanto com o Estado. Não procuraram e não tiveram diálogo com o setor para saber se a gente é capaz de contribuir, se pode contribuir e de que forma. Os produtores de algodão são contra o Fethab 2 ou qualquer aumento de tributação no nosso setor”. 

Os produtores de algodão ressaltam, no entanto, que os custos em cima da lavoura já são altos e que é preciso o Governo do Estado e a classe política conhecer os números do setor. Apenas com custos de produção, estima-se que chega a R$ 8,5 bilhões por ano.

“Os produtores fazem planejamento com um ano, um ano e meio de antecedência, tendo compromisso com fornecedores e clientes antes de colher. Já estamos apertados na questão de planejamento dos gastos, não temos mais receita para novos tributos”, disse Schenkel. 

Sobre as declarações do secretário de Fazenda, Rogério Gallo, em relação a um possível Fethab 2 permanente, Alexandre Schenkel avaliou que o gestor pode ser que desconheça a realidade do setor produtivo, justificando que não há possibilidade de ajudar integralmente todos os anos sem saber como está e estará a realidade financeira do setor.

 “No setor do agro, 85% da área de algodão do Estado vem em segunda safra, que seria uma safra posterior ao plantio de soja. Somos produtores de soja, milho e algodão e temos uma dependência muito grande do clima e do mercado externo, sendo variável a cada ano. Imagine um ano onde teremos uma produção baixa por conta do clima, de intempéries e por conta disso, fisicamente, não conseguimos produzir um volume grande. Ao mesmo tempo, temos preços muito baixos, e isso inclusive já aconteceu anteriormente, em lavouras de algodão e milho, em que tivemos que pagar para produzir”. 

O governo deve protocolar nesta terça-feira (8) a proposta de fusão do Fethab na Assembleia Legislativa. O texto entrará na Casa junto com as propostas reforma administrativa e o substitutivo do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual).

Redação

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