BRASÍLIA – A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 107,416 bilhões em julho. O valor representa uma queda real (já descontada a inflação) de 5,80% em relação ao mesmo período no ano passado. Segundo a Receita Federal, esse foi o pior resultado registrado desde 2010.
No acumulado do ano, entraram nos cofres públicos R$ 724,6 bilhões, o que significa uma diminuição real de 7,11% sobre 2015.
A queda na arrecadação é reflexo da crise econômica vivida pelo país. Tanto que a arrecadação com vários tributos atrelados à atividade têm sofrido quedas significativas. É o caso do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que caiu 14,58% no ano. O Imposto de Importação e o IPI Vinculado acumulam uma queda de 27,5%.
Além disso, as desonerações tributárias geraram uma renúncia fiscal de R$ 52,8 bilhões no primeiro semestre. Só em julho, o país deixou de arrecadar R$ 7,5 bilhões.
DESEMPREGO PESA
O chefe do centro de estudos tributários e aduaneiros, Claudemir Malaquias, ressaltou que vários dos indicadores econômicos têm ensaiado uma recuperação nos últimos meses. Ele citou, por exemplo, os indicadores de produção industrial e de vendas do comércio, que desaceleraram a queda. Além disso, em termos nominais, a massa salarial voltou a ser positivo em julho, com uma alta de 0,98%.
— A gente nota uma leve e tímida recuperação, insuficiente ainda para fazer uma projeção mais segura, mas, ainda assim, é uma recuperação — disse.
Ele ponderou, no entanto, que o aumento do desemprego pesa muito na arrecadação. Sem uma recuperação desse indicador, portanto, a arrecadação deve demorar mais a voltar a crescer.
— Com o nível de desemprego muito elevado, você tem perda de consumo e perda de arrecadação sobre o salário. Esse indicador não apresentando sinais de recuperação, sinaliza que a retomada da arrecadação pode vir um pouco mais adiante, não nesse momento.
Fonte: O Globo


