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Áreas úmidas sofrem com desmatamento e lançamento de efluentes

Um levantamento feito pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) aponta que desmatamento das nascentes, drenagem, conflitos no uso de recursos pesqueiros e lançamento de efluentes, inclusive em áreas urbanas, são os principais problemas nas áreas úmidas do Guaporé, Pantanal do Araguaia e Pantanal do Paraguai. O diagnóstico é resultado do projeto “Boticário MP-MT Valoração de Áreas Úmidas", desenvolvido em parceria com o Núcleo de Estudos Jurídicos e Pesquisas Ambientais (NEPA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Além da identificação dos principais problemas ambientais, o projeto também possibilitou a análise da atuação do Ministério Público Estadual para a proteção dessas áreas úmidas. De acordo com a assessoria de imprensa do MP-MT, o objeto de estudo envolveu em torno de 60 promotorias de Justiça. “No decorrer do levantamento, foi constatada a existência de mais de 300 procedimentos instaurados pelo MP do Estado relacionados ao assunto, entre inquéritos civis, procedimentos preparatórios e ações civis públicas”, informou.

A iniciativa contemplou ainda a realização de audiências públicas e capacitações sobre técnicas de valoração do dano ambiental nas áreas úmidas. Dentro deste contexto, na sexta-feira (08), durante o “Encontro Bacias Hidrográficas e Áreas Úmidas”, realizado no Sesc Pantanal, que fica no município de Poconé (110 quilômetros de Cuiabá), a Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e Ordem Urbanística promoveu a finalização do referido projeto.

Na oportunidade, o procurador de Justiça Luiz Alberto Esteves Scaloppe adiantou que em janeiro de 2020 deverá ser lançado “Ebook” com a compilação dos estudos realizados sobre os 10 principais casos de dano ambiental em áreas úmidas e as técnicas de valoração existentes e aplicáveis a estes casos. “Esperamos com este projeto que os operadores do direito, ao se valerem do conhecimento científico disponível em áreas úmidas, tornem mais efetiva a defesa desses raros e delicados ecossistemas”, disse por meio da assessoria.

O encontro teve a participação de 40 pessoas, entre procuradores e promotores de Justiça, assessores e representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), da UFMT e Universidade de Mato Grosso (Unemat). Entre os assuntos, foram discutidas questões conceituais sobre bacias hidrográficas e áreas úmidas. Os temas foram abordados, respectivamente, pelo biólogo Rafael Nunes e pela professora doutora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Carolina Joana.

A programação incluiu também troca de experiências com o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo e integrante do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), Ivan Carneiro Castanheira. “Tentei trazer aqui a importância de o Ministério Público se aproximar dos comitês de bacias hidrográficas e incentivar a participação da população, mas também incentivar que os comitês cumpram com o seu efetivo papel, que é participar da elaboração do próprio plano, mas principalmente fiscalizar a implantação do próprio plano nas suas respectivas ações, seus cronogramas e na escolha de opções de como se quer promover o desenvolvimento da região, o que chamamos tecnicamente de enquadramento dos corpos hídricos”, destacou.

Ainda, conforme a assessoria de imprensa, o “Encontro Bacias Hidrográficas e Áreas Úmidas” começou na quinta-feira (07) com a apresentação do cronograma de recursos do Programa Global REDD Early Movers (REDD para Pioneiros – REM) e marcou o início dos trabalhos das 13 Promotorias de Bacia Hidrográfica instaladas no âmbito do MP-MT. O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, ressaltou a importância dessas promotorias. “As Promotorias de Justiça de Bacia Hidrográfica são estratégicas para a proteção do meio ambiente. A estruturação que está sendo realizada busca possibilitar aos promotores que, mesmo acumulando outras promotorias, possam atuar de forma articulada com a Procuradoria Especializada Ambiental para preservar as bacias e buscar a recuperação daquelas que já estão degradadas”, enfatizou.

Além dos recursos obtidos em nível internacional pela Especializada Ambiental, por meio de projetos, a Procuradoria-Geral de Justiça também vem contribuindo para a estruturação dessas 13 unidades. “Nós disponibilizamos inicialmente cinco assessores extras para essas promotorias, ano que vem queremos dar mais cinco e em 2021 mais três, para que as 13 promotorias possam ser contempladas”, finalizou.

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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