Após manifestações nas redes sociais de familiares e amigos do ex-dentento Cícero Junior Oliveira Dias, 20, que morreu com tuberculose na Penitenciária Central do Estado (PCE) após receber atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no último dia 26, o juiz da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, Geral Fidelis, pretende deixar o local que atua, devido às acusações que ele tem sofrido de ser o culpado da morte do jovem.
As manifestações e repúdio contra o magistrado começou depois que um vídeo que o próprio Fidelis filmou conversa com o detento horas antes de ele morrer. Para a família e amigos próximos do jovem, pelas imagens, já era possível notar que Cícero estava muito debilitado e que o magistrado poderia ter ordenado o tratamento dele fora da unidade imediatamente.
Em conversa no seu gabinete com o Circuito Mato Grosso na tarde de sexta-feira (29), Geraldo Fidelis lamentou profundamente a morte do jovem, e disse que no momento, ele fez o que tinha que ser feito.
“Encontrei os pais do Cícero na porta da PCE com uma equipe de reportagem, eu disse que iria falar com o detento e levar informações a ele, quando entrei na unidade, Cícero havia chegado da UPA do Pascoal Ramos, minutos antes onde recebeu medicação na perna e braço, sendo liberado pelo médico que o atendeu, não apresentando algo mais grave”, disse o juiz.
“Pelo próprio vídeo que eu gravei, nota-se que o pedido do jovem era ser encaminhado ao shelter (Raio de isolamento e tratamento dos detentos com tuberculose outras doenças), pois queria descansar, que estava muito fraco, e assim o fiz, ordenei o encaminhamento dele ao shelter”, completa Geraldo Fidelis.
Depois de conversar e gravar Cícero, o juiz retornou na entrada da PCE e conversou com os pais do até então detento e mostrou as imagens e disse que atendeu o pedido do filho do casal Aparecida Furtado de Oliveira Dias e Lindomar dos Reis Dias. No mesmo dia, horas depois o jovem acabou falecendo dentro do presídio.
Além das manifestações nas redes sociais, na tarde de sexta-feira aconteceu um protesto em frente a PCE onde os familiares e parentes de outros detentos cobram justiça em relação a morte de Cicero e pede uma maior atenção por parte do governo do estado em relação aos tratamentos de saúde realizados aos presos.
“Eu quero saber até quando governador, juiz vão se responsabilizar por isso, cada dia morre, mas as famílias não correm atrás, não buscam os direitos que elas têm. Eu quero saber doutor até quando, porque o senhor foi designado para fazer o direito desses presos aqui, o direito deles está na mão do senhor”, disse Lindomar dos Reis em entrevista no manifesto em frente a PCE.
“Se aquele dia o senhor tivesse pegado naquela hora e falado com os agentes leva esse rapaz para a policlínica, leva ele para o hospital, talvez o meu filho não teria partido doutor, e meu filho estaria ai dentro”, complementou ele com palavras direcionadas a Fidelis.
Ainda na sexta, porém após tomar conhecimento das manifestações contrárias a atitude dele no dia do falecimento de Cícero, tanto em redes sociais, quanto em frente a PCE, o juiz em conversa pelo whatsapp, deixou claro o seu descontentamento com o ato, e pretende atuar em outra vara longe da execuções penais.
“Tiveram aqueles que escolheram Barrabás. Essa manifestação apenas me faz pensar em pedir para continuar meus préstimos em outra Vara, longe da Execução Penal. Creio que está chegando a hora de vir sangue novo pra cá. Ao menos é essa mensagem que ressai dessa manifestação…ainda que injusta”. Diz o magistrado.
A morte de Cícero está sendo investigada pela Delegacia de Homicídio e Proteção a Pesso (DHPP).
APOIO DE FAMILIAS
Após tomar conhecimento das palavras do juiz, esposas e parentes de detentos pretende realizar um ato, pedindo a permanência de Fidelis a frente da vara de execuções penais. Pelas mensagens de apoio, ele é bem visto perante a maioria dos detentos e familiares, pelo tratamento humanitário que tem.
“Companheiras e companheiros, venho pedir a todos(as), ajuda no sentido de pedirmos e se for o caso implorarmos a Dr. Geraldo, que não saia da vara de execução penal! Pois ele está cogitando pedir para ir para outra vara, depois dessa manifestação de hoje. Eu que estou no convívio carcerário desde 2007, posso afirmar que, não existem outros magistrados com tamanha dedicação e apoio aos engressos (sic) e familiares. Por isso “pesso” que façamos um clamor a ele”, diz uma pessoa em mensagem em um grupo de whatsapp.
Em outra mensagem é reforçado o apoio e admiração por Geraldo Fidelis.
“Companheira, eu estou pedindo sim que façamos um movimento de reinvindicação para que o juiz Dr. Geraldo, permaneça na Vara de Execução Penal, por conhecer bem o sofrimento de um detento e familiares. Tenho filho preso e já conseguimos muita ajuda através da pessoa desse juiz. Quem teve oportunidade de conviver com o outro juiz que estava nessa Vara sabe o que estou falando”, diz a mulher.
Ainda na mesma noite familiares de detentos explicaram ao Circuito Mato Grosso que houve um equívoco na interpretação do magistrado e que a manifestação em frente a PCE era em cobrança ao governo para que melhore o atendimento e saúde na unidade, que atualmente segundo eles, nem medicamento como Dipirona a unidade possui.
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