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Após mais de 20 anos, conflito fundiário mantém 160 famílias em disputa por terras em MT

Um conflito fundiário envolvendo mais de 6,4 mil hectares na região conhecida como Fazendas União I e II, ou Gleba Macaco, em União do Sul, mobilizou uma visita técnica da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT) e de outros órgãos públicos na última segunda-feira (6). A área, onde está localizada a Comunidade Nova Conquista, abriga cerca de 160 famílias, das quais 78 pessoas foram identificadas em situação de extrema vulnerabilidade.

O processo de reintegração de posse tramita desde 2013 e está na fase de cumprimento de sentença. Atuando como custos vulnerabilis (guardiã dos vulneráveis), a Defensoria Pública representa os moradores e pediu a suspensão do despejo por 90 dias para que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) conclua a análise sobre a possibilidade de desapropriação da área para o Programa de Reforma Agrária. Segundo o órgão, trata-se de uma área pública da União.

Para a produtora rural Ruth Francisco da Silva, de 53 anos, a atuação da Defensoria mudou a forma como a comunidade passou a ser vista. Ela afirma que, antes, os moradores eram tratados como grileiros, mas hoje são reconhecidos como cidadãos em busca de seus direitos. Ruth também destacou que a instituição deu voz às famílias perante a Justiça e contribuiu para que parte da área fosse destinada à reforma agrária.

Segundo a defensora pública Aline Carvalho Coelho, do Núcleo Estadual Especializado em Conflitos Fundiários, a visita técnica é fundamental para garantir assistência jurídica integral aos moradores e assegurar o direito constitucional à moradia. Ela ressaltou que o assentamento existe há mais de 20 anos e aguarda a regularização definitiva dos lotes.

A situação se tornou ainda mais delicada após a Prefeitura de União do Sul informar à Justiça que não possui condições de realocar as famílias em caso de despejo, alegando ausência de programa habitacional, estrutura e recursos financeiros. A vistoria foi conduzida pela Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Poder Judiciário de Mato Grosso, com participação do Ministério Público Estadual, Incra, Intermat e representantes do município.

joaofreitas

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