O ex-governador e candidato ao Senado, Pedro Taques (PSB), defendeu a criação de uma espécie de “malha fina” para políticos, com fiscalização mais rigorosa da Receita Federal sobre a evolução patrimonial de quem exerce mandato. A proposta faz parte das medidas apresentadas pelo candidato para prevenção e combate à corrupção e busca verificar a compatibilidade entre os rendimentos declarados e o crescimento do patrimônio durante a vida pública.
Segundo Taques, o exercício de mandato não pode ser utilizado como instrumento de enriquecimento pessoal. “Nós precisamos fazer com que os políticos tenham uma Receita Federal mais em cima, uma malha mais fina, para que não possam entrar na política e ficar ricos. Você já viu: o político entra quebrado e sai rico. Dobra o capital, dobra o patrimônio. Os políticos precisam passar por um pente fino”, afirmou.
A evolução patrimonial de candidatos pode ser acompanhada a partir das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Entre 202 deputados federais que disputam a reeleição em 2026 e foram analisados, 152 declararam patrimônio superior ao informado há quatro anos. Desses, 57 registraram aumento acima de R$ 1 milhão, enquanto o maior crescimento chegou a R$ 33,6 milhões. O aumento patrimonial, isoladamente, não indica irregularidade, mas Taques defende que a origem e a compatibilidade dos valores sejam submetidas a uma fiscalização mais rigorosa.
O candidato também citou a própria trajetória para sustentar a proposta e afirmou ter deixado cargos públicos com patrimônio menor do que possuía ao assumir as funções. “Tem gente que diz que eu sou besta porque não roubei. Eu penso exatamente o contrário. É justamente porque não tenho rabo preso que posso chegar ao Senado com coragem para fazer as mudanças que precisam ser feitas”, declarou. Taques falou sobre o tema na quarta-feira (23), durante rodada de entrevistas com candidatos promovida pela Record News Mato Grosso.
Além da evolução patrimonial, Taques defendeu que o eleitor conheça os suplentes que integram as chapas ao Senado. Cada candidato tem dois suplentes, que podem assumir a cadeira em situações como afastamento, renúncia, morte ou perda do mandato do titular. “Você precisa mostrar a vida do senador, a vida dos suplentes, para saber em quem você vai votar”, afirmou.


