Após mais de 16 horas de julgamento, o Tribunal do Júri absolveu o comerciante Carlos Alberto Oliveira Júnior, 31 anos, pela morte do policial militar Élcio Ramos, de 29 anos. Ele era acusado de homicídio, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma, no caso que aconteceu em agosto de 2016.
O julgamento terminou por volta da 1h, na madrugada desta quarta-feira (27). Ao final, o conselho absolveu o rapaz da participação no crime e ainda determinou a retirada da tornozeleira eletrônica, medida cautelar a qual Júnior foi submetido em dezembro passado, quando foi solto pela Justiça.
No entanto, o réu foi condenado pelo porte de arma de fogo, com pena de um ano e seis meses de prisão em regime aberto, e ao pagamento de pena pecuniária de 20 dias-multa.
O caso
A situação trágica envolvendo a morte de um policial em serviço ficou conhecida como “o caso do CPA 3”. A ação aconteceu no dia 2 de agosto de 2016, quando policiais do setor de inteligência do Comando Regional de Cuiabá investigavam a venda de armas ilegais pela internet. O alvo era o irmão de Carlos Alberto, o rapaz André Luiz Alves de Oliveira, de 27 anos, que também morreu na operação.
Segundo os autos, naquele dia, Élcio e o também policial Wanderson Saraiva foram à loja de Carlos Alberto à paisana fazer o flagrante das vendas de armas. O próprio André Luiz teria oferecido um revólver calibre 38, por meio do WhatsApp, para os militares.
No entanto, ao chegarem no local, a situação não andou como o programado pelos policiais. Segundo acusou o Ministério Público, o comerciante Carlos Alberto teria segurado o policial Élcio e, depois, entrado em luta corporal. Com o militar imobilizado, o suspeito André Luiz atirou.
Um reforço policial foi acionado e, segundo consta em outra acusação, foi pelos novos policiais na cena que André Luiz foi morto. À época do fato, o secretário de Segurança Pública, Rogers Jarbas, foi até o local do crime. No entanto, quando chegou, tanto o militar quanto o acusado já estavam mortos.

O caso teve grande repercussão na mídia e entre a vizinhança, que alegou execução por parte dos policiais. Segundo as informações, o tiro que matou o acusado André Luiz partiu de um major do Batalhão de Operações Especiais (Bope), quando o rapaz já estava rendido. Na época, também se questionou a forma como o corpo de André Luiz foi retirado da cena – foi colocado na carroceria de uma caminhonete do Bope.
A reconstituição da cena foi feita por agentes da Polícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) no ano passado. O pai de André Luiz e Carlos Alberto culpa a polícia pelo crime.


