Política

“A gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo”, afirma Dilma

Um dia depois da divulgação de grampos telefônicos que levaram milhares de pessoas às ruas pedindo o impeachent de Dilma Rousseff, a presidente da República afirmou em discurso que "a gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo", nesta quinta-feira (17), na cerimônia de posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil.

Ao longo de um longo discurso de mais de meia hora, interrompido várias vezes por gritos de apoiadores e detratores da presidente, Dilma enumerou as qualidades dos novos ministros do governo federal, mas passou a maior parte do tempo criticando as investigações que se aproximam perigosamente de seu padrinho político, em especial a divulgação de uma conversa entre os dois ocorrida na véspera. Além de Lula, foram empossados Eugênio Aragão (Justiça) e Mauro Lopes (Aviação Civil). 

"Nossa obrigação é enfrentar esta situação que ameaça degradar o País. Devemos combater este ambiente, que eletriza o País e deixa a população em estado permanente de sobressalto. Não interessa aos brasileiros e brasileiras um ambiente que impede o funcionamento normal das instituições, tampouco um movimento que emperra o Brasil", disse a presidente, aplaudida pelos aliados reunidos no salão principal do Planalto – enquanto, do lado de fora, manifestantes gritavam por sua renúncia.

"Juntos, nós e todos os ministros do governo, toda a nossa base social e política, teremos mais força para superar as armadilhas que jogam no meu caminho aqueles que desde minha reeleição não fizeram outra coisa a não ser paralisar o meu governo, me impedir de governar ou tentar me tirar do mandato de forma golpista […] Temos de superar o ódio e a atuação daqueles que não têm razao, não estão do lado da verdade e não terão força política para provocar o caos e a convulsão social."

No discurso forte e combativo, a presidente afirmou que é preciso "superar os ódios" no Brasil, enfatizando que o que chamou de golpistas não vão "colocar nosso povo de joelhos. Dilma fez muitas críticas à divulgação da gravação de sua conversa com o ex-presidente e disse que o fato coloca em risco todos os cidadãos brasileiros.

"Os golpes começam assim […] Estendemos a mão para todos aqueles que querem o bem do Brasil. Não exigimos nada a não ser o diálogo e a ação consertada", afirmou. "Temos de superar os ódios e a atuação daqueles que não têm razão, não estão do lado da verdade e não terão força política para provocar o caos e a convulsão social."

A presidente disse que o País vive um momento ímpar em sua história, pois, segundo ela, o combate à corrupção tem sido realizado sem obstrução do governo. "Mas temos de reafirmar a centralidade dos direitos individuais, a normalidade nacional e a soberania da constituição", enfatizou.

Mesmo sem Jaques Wagner presente na cerimônia de posse, na qual ele assumiu a função de chefe de gabinete da presidente e passou o seu cargo na Casa Civil para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente fez questão de agradecê-lo por seu companheirismo e disse que o agora chefe do gabinete presidencial estará ainda mais próximo dela.

"Ao longo de minha vida aprendi a valorizar, a dar extrema importância e respeitar meus companheiros de luta e jornada, pessoas para mim muito especiais, que tem estado ao meu lado em todos os momentos. Durante as conversas das mudanças que estou promovendo, pude perceber mais uma vez que pude contar com meu amigo Jaques Wagner", afirmou a presidente.

A negociação para que Lula aceitasse o cargo foi longa. Somente nesta semana o núcleo duro da presidente teve mais de sete horas de conversa.

Dilma destacou o estilo "pacifico e conciliador" de Wagner e afirmou que ele "é fundamental" para seu governo. "Como articulador, parceiro, para debater decisões e como bom conselheiro", disse. "E a partir de agora estará ainda mais perto de mim." 

Fonte: iG

Redação

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