Cinco hospitais públicos em Mato Grosso – um em Cuiabá e quatro no interior- começaram a reduzir o número de cirurgias e internações, a partir desta semana, por falta de fornecimento de rouparia esterilizada para atendimento a pacientes. A insuficiência seria por atrasos no repasse de verba do governo estadual para unidades nos últimos cinco meses. O montante estaria em R$ 3 milhões.
Além do Adauto Botelho, na capital, ocorrem reduções nos hospitais regionais de Colíder, Alta Floresta, Sorriso e Sinop. Cerca de 650 mil pessoas podem ser afetadas pela alteração.
A diretora de contratos da Grifort, empresa responsável pelo fornecimento, desinfecção e esterilização de todo enxoval dos hospitais, Mônica Chiamente, disse que tentou contornar a situação ao longo dos cinco meses sem repasse.
“Não temos mais como continuar o serviço em sua totalidade, sem receber pelos serviços que já prestamos. Estamos entregando 30% dos enxovais e garantindo urgências e emergências e as cirurgias que já estavam agendadas. Estamos negativados com nossos fornecedores e agora com nossos 60 funcionários”, explicou.
A falta de repasse também ocasionou o atraso no salário dos funcionários referente a agosto, que à paralisação de 70% dos serviços anunciada pelos colaboradores na última sexta-feira (23). É cogitada a paralisação total.
Conforme as planilhas de repasse do governo à Grifort, nos últimos dois anos o estado deixou de pagar R$ 2.615.390,60 milhões. Somente de janeiro a agosto desse ano, a inadimplência do estado totalizou R$ 1.445.291,06. Entre 2012 e 2014 também ficou saldo devedor para com a empresa, somado em R$ 399.170,36.
A empresa já notificou o Governo de Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde, além das unidades hospitalares sobre a paralização dos serviços.
No documento, a empresa alega ainda que há indícios de que o Estado não cumpre ordem cronológica de pagamento, em descumprimento com a Lei número 8.666/1993, instituído nas normas para licitações e contratos da Administração Pública.



