Por Valquíria Castil/Sandra Carvalho
O ex-secretário de Estado de Administração,Pedro Elias Domingos de Mello prestou depoimento nesta segunda-feira (29) no Fórum de Cuiabá dentro do processo da Operação Sodoma II, que investiga crimes de pagamento de propina e lavagem de dinheiro. Ele foi ouvido pela juíza Selma Rosane de Arruda, da 7ª Vara Contra o Crime Organizado, pela promotora e advogados de defesa de outros envolvidos, como Rodrigo Barbosa, Marcel de Cursi, Chico Lima e José Riva,.
Veja trechos do depoimento:
10h40 – Peço desculpas à senhora pelo mal que fiz, por ter participado dessa organização. Naquele momento os meus valores eram outros". O ex-secretário chora.
10h50 – "Eu assumi o cargo de secretário em janeiro de 2013 e a partir daí eu procurei dono da Consignum, o Willians (Paulo Mischur), pedido do governador Silval Barbosa, para checar que o valor do repasse era de 500 mil reais. Aí eu busquei o dinheiro durante primeiro semestre de 2013. No segundo semestre o governador Silval Barbosa pediu que confirmasse o valor do repasse e que eu levasse o empresário até o gabinete para confirmar o valor que estava sendo pago".
11h10 – Pedro Elias afirma que ficou com R$ 100 mil de propina referente a um contrato com uma construtora. O ex-secretário também confessa ter recebido R$ 100 mil da Consignum, além de dois apartamentos.
11h15 – "Em 2014 o Riva (deputado) passou a querer trocar a empresa Consignum por outra que poderia pagar mais propina. Eu levei o fato ao conhecimento do governador Silval Barbosa e ele me disse que não podia fazer nada, porque a partir daquele momento o deputado é quem passaria a ter controle sobre o contrato. A partir daí, eu acredito que foi só uma vez, fui chamado pelo Riva para ser comunicado desse processo. Ele pediu para que eu não interferisse no processo licitatório. A conversa foi no gabinete dele".
11h24 – Marcaram marcada uma reunião na casa do Riva com o Willians Mischur para acertar o valor da propina. "Eu não sei qual foi o motivo que levou o Riva e o Willians a chegarem a um denominador, porque nessa reunião ele já tinha um acordo, a reunião só foi uma formalidade. A partir daí, o Riva passou a receber a propina de R$ 500 mil por mês. O Riva dizia que tinhas despesas e que precisava do dinheiro. O Willians concordou e o processo licitatório ficou sub judice".
11h27 – Sobre a Webtec: Eu recebia valor do Júlio e repassava para o Rodrigo passar para o governador. Recebi o dinheiro três vezes e levava o dinheiro no apartamento do Rodrigo. Eu entregava tudo o que eu recebia. A propina era para sempre em dinheiro. Os cheques que recebemos nunca foram compensados. Para não levantar suspeitas o pagamento era picado. Em 2015, lá pelo mês de fevereiro eu procurei o Júlio em relação aos cheques e ele disse que não tinha condições porque estava com problemas financeiros e não teria condição de pagá-los e eu rasgugei os chequs, vários cheques da Caixa Econômica com diversos valores que totalizaram R$ 280 mil.
11h34 – Pedro Elias chora novamente e quando questionado se temia o Silvio Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, responde: "O Silvio tinha muita influência. Eu temia o Silvio pelo jeito que ele tratava as pessoas. Ainda mais depois do depoimento do Nadaf. Ele disse que eu não duraria um ano. Ele era muito bruto. Também tenho medo do Cordeiro, não só porque ele é policial, que anda armado, mas pelo jeito que ele dizia que já trocou tiro, que fez isso e aquilo".
11h50 – "Nunca fiz negócios com Pedro Nadaf, pelo o que eu presenciava ele era uma espécie de interlocutor do Silval. Uma vez ele me chamou e disse que precisava resolver uma questão para levantar dinheiro. Eu entendi que era para fazer algo dentro do Governo e eu disse que não ia fazer, e ele entendeu. Eu nunca tratei nada com o Chico Lima, mas desconfiava a participação dele no Conde. Também não fiz nenhum negócio com de Cursi, porém, a Sefaz não tinha uma postura correta com as demais secretarias. Por exemplo, vários recursos que eram destinados à SAD, ele retirava. Agora eu entendo as razões dos fatos, mas antes eu não sabia por que faziam isso".
12h20 – Advogados de defesa de Rodrigo Barbosa pergunta a Pedro Elias se ele sabia que o filho de Silval Barbosa teria sido "preso por culpa dele". Pedro Elias chora novamente e afirma se sentir pressionado e que afirma: "Não me imputem algo a mais pra mim. Se cada um assumisse a cupla nada disso estaria acontecendo".
14h – Ao retormar o depoimento, Pedro Elias afirmou que nunca entrou dinheiro de propina a Marcel de Cursi e enumerou as pessoas seriam os integrantes da 'organização: "O governador, Silvio, eu, Pedro Nadaf, Marcel, Chico Lima, Iens, que era o procurador. E depois citou por cargo: O secretário de governo, da Casa Civil, de administração, chefe de gabinete, planejamento, fazenda, administração, procurador geral, auditor geral e Chico Lima.
14h30 – Elias não responde a algumas pergundas dos advogados de defesa e estes entram com requerimento imputando omissão ao interrogado. A juíza não acatou os requerimentos.
14h38 – Pedro Elias afirma que não tem nenhuma anotação ou documento que compromvem o pagamento de propinas. E explicou que a posição do 'terceiro nível' na organização não definia percentual da propina e nem dava ordem.
14h42 – Advogado de José Riva, Mário Sá, questiona o interrogado se ele haveria recebido ameaças do ex-presidente da Assembleia e Pedro Elias disse que sofreu pressão quando esteve no gabinete de Riva e ele teria lhe dito para não se meter mais no contrato com a Consignum. E confirmou que Riva pegou o contrato como forma de pagamento de uma dívida que Silval tinha com ele.

