A conduta de dois policiais civis que abordaram dois amigos que jogavam 'Pokémon Go' no celular, na madrugada da última terça-feira (9), na frente de uma delegacia em Cuiabá, está sendo investigada pela Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso. A investigação foi aberta a partir de uma denúncia de suposto abuso de autoridade feita pela família de um dos jovens que aparece no vídeo.
Para o corregedor e delegado da Polícia Civil, Geraldo Magela de Araújo, houve exagero na forma com que os dois policiais civis trataram a situação. Os dois amigos foram obrigados a se deitarem no chão enquanto eram revistados pelos dois policiais. A cena gravada por um dos policiais e postada em redes sociais ocorreu na frente da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), no Bairro Jardim das Américas. Os dois amigos já prestaram depoimento na corregedoria.
“Os dois jovens se sentiram oprimidos e ficaram com medo dessa situação. Em tese, houve abuso e excesso [por parte dos policiais]. Não precisava de tanta energia numa abordagem. Vamos tomar as primeiras providências para identificar quem eram os plantonistas [policiais] naquele dia”, disse o corregedor ao G1.
Nas imagens, os jovens aparecem deitados no chão enquanto são revistados pelos policiais. Um deles pergunta se os jovens “querem morrer” ao andarem pelas ruas naquele horário. "Dois veadinhos catando pokémon de madrugada", diz um dos policiais durante a ação.
Segundo o corregedor, os jovens alegaram que foram agredidos com chutes nas costas. Um dos policiais chegou a atirar para cima durante a abordagem. Os amigos afirmaram ao corregedor que saíram para caçar pokémon na região e, como não conseguiram achar, estavam voltando para casa. Eles moram em um prédio na mesma região.
“Os meninos disseram que estavam voltando quando os dois policiais saíram de trás de um carro e os abordaram. Mandaram que os meninos ficassem deitados com a cabeça no chão, por isso eles [os jovens] não conseguiram identificar os policiais. [Os policiais] Falaram que [os jovens] eram 'veadinhos', deram chutes nas costas, fizeram insultos e palavrões”, relatou o corregedor.
O segurança de um condomínio foi até a rua depois de ouvir o disparo feito pelo policial. Segundo o corregedor, foi nesse momento que os dois policiais liberaram os dois amigos. Os policiais conversaram com o segurança e perguntaram se os dois jovens moravam naquele prédio. A testemunha confirmou que sim.
“O excesso também se deu em função da abordagem e depois nos desdobramentos da história. Tudo foi filmado pelo próprio policial e colocado em redes sociais. Isso vai favorecer a quem? Chamar a atenção de quem? É ruim. Nós vamos agir com respeito aos policiais e com respeito às vítimas”, afirmou Magela.
O corregedor disse que não há câmeras de segurança na região. A única filmagem que comprovaria a abordagem foi a que o próprio policial fez e divulgou. Na avaliação de Magela, a ação foi isolada e não corresponde com os princípios ensinados pela instituição.
Família
A socióloga Imar Domingues Queiroz, mãe de um dos jovens que aparece no vídeo, afirmou que a atitude mostrou o despreparo dos policiais. “Eles [jovens] não estavam cometendo nenhum crime e os policiais agiram com abuso de poder e de autoridade. A abordagem dos policiais agrediu o direito de ir e vir do cidadão”, argumentou.
A professora avalia ainda que o comportamento dos policiais foi homofóbico. “Meu filho não é gay, mas, ainda que fosse, teria o direito de ser respeitado e ter seus direitos garantidos”, afirmou.
Fonte: G1



