Cidades

Greve dos médicos prossegue sem qualquer diálogo

Por Bruna Gomes

Nesta terça-feira (15) a greve dos médicos completa nove dias e segue sem qualquer negociação. Enquanto a secretaria de saúde diz não haver recursos para atender as demandas dos grevistas e reafirma a ilegalidade da paralisação, os médicos declaram a situação da saúde pública no município de Cuiabá insustentável.

 “A prefeitura não esboçou qualquer reação, além de julgar a greve ilegal e colocar recursos na justiça para tentar aumentar a multa para o sindicato. E também tem diminuído os médicos nos plantões e tirado médicos da escala, propondo a redução de gastos com a saúde neste momento”, informou presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT),  Eliana Siqueira.

Entre as exigências do Sindicato está a implementação do piso salarial nacional de R$ 12,9 mil, por 20 horas semanais, ao invés do piso municipal que é de R$ 3,8 mil. Além disso, afirmam haver atraso no pagamento dos salários, horas extras, falta de medicamentos e estrutura para exames básicos.

O prefeito Mauro Mendes (PSB) já havia declarado a impossibilidade de reajuste salarial. “Não adianta me pressionar. Não é porque é ano de eleição que eu vou sair dando aumento, sem que o Município possa ter condições de pagar. Não vou fazer.”

Quanto à greve, a resposta do município segue imutável: “A posição da Prefeitura de Cuiabá é a mesma, está disposta a negociar, mas, só irá sentar a mesa com o sindicato da categoria quando os médicos que ainda insistem no movimento, retornarem aos seus postos de trabalho, cumprindo assim a decisão judicial que considerou o movimento ilegal.”

A ilegalidade da greve foi declarada pelo desembargador Gilberto Giraldelli, que determinou multa de R$ 50 mil ao Sindicato dos Médicos de Mato Grosso por cada dia de paralisação. Esta decisão foi tomada por meio de um pedido de antecipação de tutela feito pela prefeitura de Cuiabá. Segundo o município, o Sindimed não tentou negociar antes de declarar greve.

A respeito da multa ao Sindicato, que hoje chega à R$ 450 mil, a presidente afirma já ter dialogado com a OAB, que se comprometeu a intermediar uma reunião com a prefeitura para a resolução deste impasse. Eliana ainda acrescenta, “No início do mandato do Mauro Mendes saímos de uma greve em voto de confiança a ele, que negociou conosco e aceitamos retornar. Hoje a nove dias em greve e um ano tentando negociar não conseguimos nada.”

Funcionamento do serviço público de saúde

Com a greve, o Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, Policlínicas e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) estão atendendo somente urgência e emergência, e 30% dos demais serviços de atenção básica e ambulatório de especialidades.

Redação

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