O novo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, disse nesta quinta-feira (3) "há forte possibilidade" de a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (Sem partido/MS) ser uma "retaliação". O ministro afirmou, ainda, que Delcídio não tem "credibilidade" e que "não tem primado por dizer a verdade".
Na delação fechada pela Procuradoria Geral da República (PGR) em troca de possível redução de pena, Delcídio citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, conforme revelou edição da revista "IstoÉ" que circula nesta quinta-feira (3).
A delação premiada ainda não foi homologada porque um dos pontos foi objeto de questionamento e ainda está sendo ajustado.
O ministro enfatizou que ainda não tem conhecimento sobre a delação de Delcídio. "Vou ler primeiro, mas vamos ser francos. Não sei se há uma delação premiada. Se houver, o senador Delcídio, com quem sempre tive excelentes relações, não tem primado por dizer a verdade", afirmou Cardozo logo após a cerimônia no Palácio do Planalto em que tomou posse no cargo.
Em seguida, Cardozo disse que "Delcídio lamentavelmente não tem credibilidade para fazer nenhuma afirmação".
Após ser questionado sobre se a delação seria uma retaliação em relação à postura do PT, que suspendeu o senador dos quadros do partido, o ministro disse que, durante o período em que Delcídio ficou preso, houve "recados" nesse sentido para o governo.
"Nós recebíamos muitos recados, inclusive alguns foram publicados na imprensa. Falava-se que se governo não agisse pra tirá-lo da prisão, ele faria retaliações. Eu não sei dizer se há delação premiada, mas se efetivamente houve, há forte possibilidade de ser retaliação, até porque isso foi anunciado previamente. Se o governo não fizesse nada, ele retaliaria", afirmou. (Com informações G1)


