A cidade de Cáceres recebeu representantes da Assembleia Legislativa do Estado para retomar as audiências públicas para apresentação do relatório preliminar do Ciclo de Formação Humana.
A questão foi discutida em 2016 e, agora, após a nova série de audiências será finalizado um documento que será entregue ao governador Pedro Taques (PSDB). O debate ser repetirá ainda em Rondonópolis, Tangará da Serra, Alta Floresta, Barra do Garças, São Félix do Araguaia e Cuiabá.
Mais de 120 professores, doutores em educação, representantes da Secretaria de Estado de Educação e do Ministério Público debateram o relatório preliminar. “Estamos apresentando o que diagnosticamos e o que estamos propondo para fechar um documento final de propostas que será entregue ao governador”, explicou o deputado Wilson Santos.
Conforme o parlamentar as dificuldades do início da implantação do ciclo no Estado perduram até hoje. “O sonho do ciclo não aconteceu em Mato Grosso por alguns culpados, mas o principal foi o fato de a questão não ser tratada como política de Estado, e sim, de governo”, pontuou. “A mudança do ensino seriado para o ciclado é algo profundo, como uma cirurgia. Talvez a educação mato-grossense nunca tenha vivido uma ruptura tão profunda. A negligência do Estado foi a maior marca do ciclo aqui em Mato Grosso”, disse.
A proposta do deputado é a manutenção do ciclo, com mudanças. São sugeridas pelo parlamentar cerca de 20 mudanças. “Estamos propondo um freio de arrumação, é o ciclo de formação com aprendizagem”, disse, argumentando que nunca os governantes trataram a educação com o respeito devido. “São mais de 500 anos de enganação”.
O promotor de Justiça do Ministério Público de Cáceres, Rinaldo Segundo, afirmou que o MP está pronto para ser parceiro da educação. “Estamos atuando em conjunto e queremos somar para a garantia da qualidade da educação no Estado”. O presidente do Sintep (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público), sub-sede de Cáceres, Orlandir Cavalcante, criticou duramente a falta de formação dos professores para atuar com o Ciclo de Formação Humana. “Tem de haver maior compromisso com a educação e, de fato, fazer as coisas acontecerem, começando pela formação e pela questão salarial dos profissionais”, disse.
A professora do curso de Pedagogia da Unemat (Universidade Estadual de Mato Grosso), Rinalda Bezerra, defende um debate intenso sobre o ciclo no Estado. “Precisamos aprofundar o verdadeiro significado do Ciclo de Formação Humana”, disse. Ela aproveitou para anunciar que a Unemat forma este ano a priomeira turma de Pedagogia voltada para a escola ciclada. O presidente do Conselho Estadual de Educação, Carlos Caetano, argumenta que não é uma mudança qualquer que vai dar melhores resultados ao ciclo nas escolas. “Não há formação para os professores e essa notícia da Unemat é muito bem vinda”, comemorou.
(Com assessoria)


