Após o chefe do Grupo Especializado de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Marco Aurélio de Castro, dizer que os honorários de advogados dos réus da Operação Sodoma podem estar sendo bancados por uma ‘teia criminosa’ na última audiência da Operação , no dia 22 de janeiro – o advogado de Marcel de Cursi, Roberto Tardelli, protocolou um pedido de explicações ao chefe do Gaeco.
O procurador aposentado e que ficou conhecido pelo caso de Suzane Risthofem disse que seus 30 anos de atuação no MP e toda sua vida pregressa na advocacia, pode ser destruída ‘como ácido’ por argumentos mal explicados pelo promotor.
"Ilações inconsequentes ou irresponsáveis hão de ser esclarecidas, expostas, traduzidas, para que não se promova o pior debate, o da maledicência barata, para que não se permita que a brutalidade e a insídia se sobreponham à inteligência e à dialética superior do debate, para que não se consagre a ameaça velada e ilegal como forma de atuação de instituição que deve prezar pela estrita observância da ética e da legalidade, que não se transforme o púlpito em uma arena de críticas", diz trecho da petição.
Tardelli afirmou ainda que tomou conhecimento do fato por meio da imprensa. Para o jurista, as declarações do membro do MP são ameaças infantis, numa na tentativa de desmoralizar “quem defende e criminalizar quem é defendido por algo que sequer fato típico é, mas que pode ser suficiente para lançar a todos na fogueira das suspeições. As razões dessa contratação e o valor dos honorários não cabem à discussão por aquele que não é integrante da relação contratual, sob pena de o acusador (Marco Aurélio de Castro) achar-se no direito de fiscalizar e perseguir o advogado do réu”, concluiu.
Suspeitas levantadas
Para o promotor há suspeitas de que os advogados dos réus estejam recebendo dinheiro de favores antigos. “Quando nós tratamos de corrupção, você não limita unicamente ao político corrupto, a pessoa distribui muitos benefícios. Formando uma ‘teia de criminosos’. Por isso nada impede que um criminoso que tenha recebido um benefício – no passado de um governador corrupto, pague o seu ‘debito’ com esse governador pagando o seu advogado”, disse o Marco Aurélio.
O chefe do Gaeco e responsável por deflagrar as operações Sodoma e Arqueiro, por exemplo, explicou que um bom advogado não é barato e que o Ministério Público está buscando a trilha de dinheiro desviado ilicitamente. “O problema que envolve esses personagens que se encontram presos, não é uma simples gripe, tratada a base de aspirina. Eles precisão de um bom cirurgião e o bom cirurgião cobra caro. Mas garanto que em determinado momento, quando o MP lograr êxito, vamos saber de onde está vindo esse dinheiro ilícito usado para pagar os advogados. Quando isso acontecer, nós ofertaremos isso ao Poder Judiciário”, argumentou.
Dinheiro de 'favores' pode estar bancando advogados de políticos


