Profissional de saúde no Hospital de Base, na Asa Sul, em Brasília (Foto: Renato Araújo/Agência Brasília )
Quase 25% dos leitos de UTI da rede pública estão inativos, apontam dados do Portal de Transparência do Distrito Federal. Das 353 unidades disponibilizadas, 82 estão sem funcionamento. Os motivos, de acordo com a Secretaria de Saúde, são a falta de profissionais e manutenção dos quartos. A pasta não soube informar quantas pessoas estão na fila de espera por UTI no DF.
O custo diário médio estimado de um leito da UTI é de R$ 3.972,87. De acordo com a Secretaria de Saúde, 72 estão inativos por falta de pessoal, e outros 13 estão em manutenção. Por nota, a secretaria esclareceu que está trabalhando para solucionar o déficit de profissionais em todas as áreas da Saúde.
"Avaliamos como prioridade a reabertura de leitos de UTI. Neste mês, 696 técnicos em enfermagem e 93 enfermeiros foram nomeados para repor o quadro de RH possibilitando a reabertura [das UTIs]. Também foram nomeados 591 médicos", informou a pasta.
Em 2015, a Secretaria de Saúde nomeou 1.242 profissionais concursados. Desse total, 722 tomaram posse, 174 não se apresentaram e 137 pediram reposicionamento na fila. As áreas com maior dificuldade de contratação foram anestesiologia, pediatria e medicina intensiva (UTI adulto).
O aposentado Eucyr Fernandes da Silva, de 79 anos, ficou um mês e duas semanas na fila de espera para uma vaga na UTI do Hospital de Samambaia. Entretanto, uma semana após conseguir o quarto, morreu em decorrência de um AVC. Para Geraldo de Carvalho Lima, genro de Silva, o governo do DF foi quem "matou" o idoso.
"Meu sogro faleceu em dezembro do ano passado por falta de assistência. Haviam leitos de UTI disponíveis. Fiz até um vídeo [veja acima]. Infelizmente, apenas os ricos têm assistência no país. Os pobres morrem esperando uma vaga. É triste, revoltante. Todo dia, o governo de Brasília mata uma pessoa", diz Lima.
Mesmo com ordem judicial, um motorista de 35 anos morreu à espera de UTI em 2015. Carlos Guedes Santana foi internado em estado grave na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Samambaia, diagnosticado com pancreatite. Na época, a Secretaria de Saúde disse que foi notificada do caso e sabia da gravidade do caso, mas não conseguiu vaga nas UTIs públicas e conveniadas.
"A gente parte do pressuposto de que houve omissão, e que isso veio a contribuir para o óbito dele", afirma a tia de Carlos, Edna Santana. "Lutamos, fomos atrás de tudo, mas é sempre negado. Espera, fica para depois", diz o pai, Francisco Santana. O motorista deixou quatro filhos pequenos.
Questionada sobre a prioridade dos quartos, a Secretaria de Saúde informou que encaminha os pacientes por uma fila única e de acordo com o quadro clínico e necessidade de atendimento. Os pacientes também recebem classificação de risco e os mais graves são priorizados. "Quanto ao prazo, a fila muda a todo instante e, portanto não há como precisar o tempo em que cada um aguarda por uma vaga", disse a pasta.
Hospitais
No Hospital de Base, o maior da rede, 24 dos 82 leitos disponíveis estão inativos. As unidades das regiões administrativas de Brasília também sofrem com o déficit. São 72 UTIs sem funcionar por falta de profissionais e 13 por manutenção.
Fonte: G1


