O ex-deputado José Geraldo Riva (sem partido) negou inocência nos dois processos oriundos da Operação Arca de Noé. Ele compareceu nesta quinta-feira (28) a Sétima Vara Criminal de Cuiabá para ser interrogado pela juíza Selma Rosane Santos Arruda. Riva responde a 80 ações de peculato e lavagem de dinheiro, em supostos desvios na Assembleia Legislativa, que juntos ultrapassam a cifra dos R$ 5,45, milhões em 2002.
A magistrada solicitou que o ex-parlamentar encontre o ex-vice-governador, Chico Daltro (PSD) – até o dia 23 de março – para que ele preste esclarecimentos a justiça, na condição de testemunha de defesa. O não comparecimento do ex-gestor acarretará na preclusão (disistência) da oitiva.
Já o ex-deputado estadual Jota Barreto (PR), também arrolado como testemunha, será ouvido por carta precatória na Comarca de Rondonópolis.
Em uma rápida entrevista o ex-deputado disse que não merecia estar preso, pois sempre colaborou com a justiça e até a ajudou no andamento dos processos. “Sempre estive muito disponível para Justiça. Nunca me furtei, inclusive em relação às testemunhas. Nós temos o compromisso de até 23 de março trazer o Chico Daltro. Logicamente, se não puder trazer, vamos ter que desistir. Mas o testemunho dele é importante, pois ele era de oposição e sabia o funcionamento da Casa”, argumentou Riva após a oitiva.
Sobre as questões dos cheques, que teriam sido usados para pagamentos à empresas fantasmas, o ex-parlamentar explicou: “Todos os pagamentos até 2002 eram feitos com cheques. A partir de 2002, a providência que nós tomamos foi a de abolir o cheque, exatamente para dar mais transparência.
O único que falou durante a oitiva foi o ex-deputado federal Eliene Lima, que esteve na Assembleia junto com Riva de 1995 até 2006. Contudo ao ser questionado sobre o funcionamento do Parlamento na época, ele disse que não se recordava.
Riva nega ter recebido 'favores' de ex-genro
José Riva negou veementemente que tenha recebido favores do ex-genro, o vereador cassado João Emanuel (ex-marido da atual deputada Janaína Riva). Segundo denúncia do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). “É absolutamente mentirosa essa afirmação, minha casa tem 10 anos que não é reformada e não faz mais de 10 anos que eu conheço João Emanuel. Simplesmente ele pode ter construído uma casa, mas a minha casa em si, não. Minha casa faz 10 anos que não passa por nenhum processo de reforma. Aliás, está lá para quem quiser ver e visitar, são convidados para isso”, concluiu.
João Emanuel teve seu mandato cassado no dia 25 de abril de 2014. Ele tinha o nome envolvido em casos de corrupção denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Nas denúncias do MPE, o ex-vereador foi acusado de usar o cargo de vereador para cometer fraudes no Legislativo Municipal. Pesam contra ele as acusações de formação de quadrilha, fraude em licitação, falsificação de documento público, estelionato, peculato, entre outras.


