Reprodução Gias
O clima esquentou no município de Rondonópolis (a 183 km de Cuiabá), entre manifestantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Polícia Militar e fazendeiros. Cerca de 150 famílias ocuparam a fazenda Vila Rica, na madrugada desta segunda-feira (24). Elas cobram do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) uma vistoria sobre possíveis irregularidades na área e a possibilidade de improdutividade.
Segundo informações de integrantes do MST, logo pela manhã era possível escutar ameaças dos fazendeiros e PM’s. “Estouro os miolos de um ou dois que aí resolvemos o problema”.
Idalice Rodrigues Nunes, coordenadora regional do MST, explica que a fazenda foi ocupada de maneira pacífica, através do estabelecimento de um acampamento, sem depredação ou degradação do terreno. Ela explica que o objetivo é chamar a atenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra e do governo de estado, sobre as prováveis irregularidades da fazenda, incluindo uma alta possibilidade de improdutividade, o que justificaria a aplicação da reforma agrária. “Existem muitas famílias de trabalhadores rurais sem acesso a terra no estado de Mato Grosso, e essa situação está estagnada há anos. O único jeito que encontramos para que as entidades de competentes nos escutem e cumpram seu papel, é a ocupação, pacífica, de propriedades. Mas isso não justifica ameaças de morte, e estamos preocupados”, disse Idalice.
Na semana passada, o MST festejou seus 20 anos no Mato Grosso e conseguiu restabelecer o diálogo com o governo e o Incra. Durante uma audiência com o governador Pedro Taques, este garantiu que seu governo seria um governo de diálogo e que a policia militar não seria uma entidade opressora, cumprindo seu papel como uma força reguladora não-violenta. Nesse sentido, os trabalhadores rurais esperam que o governo respeite seu compromisso e estabeleça um diálogo junto ao comando da policia de Rondonópolis, zelando pela segurança de todos, disse a coordenadora.
Outro Lado
A redação do Circuito Mato Grosso tentou entrar em contato com o presidente do Incra, mas o órgão está em greve desde a última sexta-feira (21).



