Duzentos quilos de farinha de mandioca, 400 quilos de carne seca, 120 quilos de cebola e 60 litros de óleo. A mistura desses ingredientes de proporções enormes deu origem 'a maior paçoca de carne seca do mundo', segundo a prefeitura de Boa Vista. O prato custou R$ 10 mil aos cofres públicos da capital e foi a atração principal da última noite do 'Boa Vista Junina'.
Com aproximadamente 500 quilos, a paçoca, prato tipicamente roraimense, foi servida gratuitamente no domingo (21) para cerca de 20 mil pessoas presentes da 15ª edição do arraial, conforme contabilizou a Secretaria de Comunicação do Município.
A produção da iguaria começou na comunidade indígena do Bananal, no município de Pacaraima, Norte do estado. Lá, quatro famílias trabalharam na elaboração dos 200 quilos de farinha, que vem da mandioca. A produção do alimento é a principal fonte de renda da comunidade. Das 42 famílias que vivem em Bananal, 35 produzem farinha.
Em Boa Vista, a farinha e a carne seca, fornecida pelo comércio local, foram trituradas no sábado (20) na cozinha industrial do Serviço Social da Indústria (Sesi). No domingo a cebola e o óleo foram acrescentados ao prato.
Maria Perpétua Mangabeira, conhecida como 'Tia Nega', é uma das 'paçoqueiras' mais tradicionais de Boa Vista e trabalha no ramo há 22 anos. Ela, João Carlos e Raimundo Nonato foram responsáveis por coordenar uma equipe de 15 pessoas em uma cozinha industrial na produção da paçoca. O trabalho durou 48 horas.
"Esta foi a primeira vez que fiz o prato com essas proporções. Foi uma honra trabalhar em um projeto desse que e poder divulgar no maior arraial da amazônia um dos pratos mais tradicionais do estado", comentou Tia Nega.
No domingo, às 20h (horário local), os frequentadores do arraial puderam finalmente provar a iguaria. Cem pessoas trabalharam na distribuição das 20 mil porções de paçoca que, segundo a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), foi o bolo de celebração dos 15 anos do arraial.
"É uma maneira da gente comemorar com a nossa tradição. A paçoca tem uma história e o nosso bolo dos 15 anos é a maior paçoca do mundo", disse Teresa.
Para a distribuição do alimento, oito filas foram formadas. A estudante Cíntia Oliveira foi uma das primeiras a comer a paçoca. Depois de esperar 30 minutos na fila, ela disse que ficou satisfeita. "A paçoca está muito saborosa. Valeu a pena a espera na fila", comentou.
Cleberson Cunha, que chegou pouco depois do início da entrega, contou que a distribuição da paçoca valoriza a cultura local. "O legal dessa ação no arraial foi a valorização da cultura de Roraima. Além disso, a paçoca está muito bem feita", afirmou.
Fonte: G1



