Dois homens apontados pela Polícia Civil como líderes de uma organização criminosa especializada em arrombamentos de caixas eletrônicos foram presos no estado do Maranhão. Douglas Floriano e Eduardo Domingues foram capturados durante o cumprimento dos mandados da Operação Círculo Vicioso, deflagrada nesta quinta-feira (5).
A dupla é investigada por participação direta em ao menos seis ataques a terminais bancários em Cuiabá e Várzea Grande ocorridos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Conforme o delegado Igor Sasaki, a dupla fugiu para a Região Nordeste do país após a prisão de um comparsa em Várzea Grande, continuando a praticar os mesmos crimes no Maranhão até ser localizada pelas equipes policiais.
Uso de lança térmica e prejuízo de R$ 105 mil
As investigações ganharam força após um furto registrado na madrugada de 21 de janeiro de 2026 contra um caixa eletrônico localizado no interior de um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande.
Na ocasião, os criminosos utilizaram uma lança térmica — equipamento de corte industrial de alta temperatura — para arrombar a estrutura de aço do cofre. Mesmo com o disparo automático do dispositivo de segurança que mancha as cédulas com tinta especial para inutilizá-las, os alvos conseguiram levar R$ 105 mil em espécie.
Estrutura da organização e lavagem via smurfing
De acordo com o inquérito policial, a quadrilha contava com uma divisão bem definida de tarefas e um núcleo específico encarregado da ocultação dos valores:
- Executores e Tecnológicos: Responsáveis pela invasão, corte com lança térmica e operação de equipamentos pesados;
- Limpeza Química: Integrantes que submetiam as cédulas manchadas a processos químicos para remover a tinta de segurança liberada pelos caixas eletrônicos;
- Repasse e Lavagem: Célula dedicada ao fracionamento do dinheiro limpo.
Para reintroduzir os valores no sistema financeiro legal sem chamar a atenção dos órgãos de fiscalização do Banco Central e do Coaf, a quadrilha utilizava a técnica de smurfing. O esquema consistia em realizar múltiplos depósitos em pequenas quantias espalhadas em diversas agências bancárias e contas de terceiros, pulverizando os ganhos ilícitos entre os participantes.
A análise de imagens dos circuitos internos das agências, somada ao cruzamento de dados bancários, permitiu à Polícia Civil mapear a função de cada suspeito e subsidiar a expedição das ordens judiciais de prisão efetuadas durante a operação.

