A parceria entre Mato Grosso e China pode impulsionar investimentos em biocombustíveis, inovação tecnológica e produção sustentável de alimentos. A avaliação foi apresentada pelo presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, durante o Fórum Empresarial Brasil-China, realizado nesta quarta-feira (4), na China. Segundo ele, o estado reúne condições estratégicas para contribuir com a agenda de descarbonização do país asiático e ampliar oportunidades de negócios.
Durante o painel Inovação e Sustentabilidade, Rangel destacou a força produtiva de Mato Grosso, responsável por 39% da produção brasileira de milho, 30% da soja e 70% do algodão. Na indústria, o estado lidera a produção nacional de etanol, com 20% do total, e responde por 22% da produção de biodiesel. “Temos matérias-primas, capacidade de industrialização e oportunidades concretas para desenvolver novas tecnologias e ampliar a produção de energia limpa”, afirmou.
O dirigente apontou possibilidades de investimentos na produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), a partir do etanol de milho, e de biometano, obtido de resíduos agropecuários e agroindustriais. Ele também defendeu a aproximação tecnológica entre os dois países, com iniciativas nas áreas de automação, inteligência artificial, biotecnologia e eficiência energética. “Queremos avançar de uma relação baseada principalmente na exportação de matérias-primas para uma parceria que também envolva produtos industrializados, inovação e transferência de tecnologia”, disse.
Rangel também ressaltou a importância da sustentabilidade e da rastreabilidade para ampliar a confiança dos compradores internacionais. Segundo ele, Mato Grosso mantém aproximadamente 60,4% do território com vegetação nativa remanescente e dispõe de mecanismos de monitoramento, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), a Guia de Trânsito Animal (GTA) e tecnologias de sensoriamento remoto. “O avanço na integração dessas ferramentas permitirá oferecer aos compradores internacionais maior transparência sobre a origem e as condições de produção das matérias-primas”, avaliou.
Promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o fórum reuniu lideranças empresariais e representantes institucionais dos dois países. No debate sobre inovação e sustentabilidade, o presidente da Fiemt dividiu o painel com representantes da Suzano Ásia, da COFCO e da ApexBrasil, com mediação da FGV Agro.


