A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28), na capital, a Operação Reescrita. A investigação apura a criação e o uso de uma decisão judicial falsa que visava transferir Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus, conhecido como “Miro Louco” — apontado como vice-presidente da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso —, de uma penitenciária de segurança máxima para Cuiabá.
A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em residências e em um escritório de advocacia. Três advogados são alvos diretos das apurações: Felipe Augusto Dorilêo de Rezende, Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros e Gerson Tomé Trevisol. Eles são investigados por falsificação de documento público, uso de documento falso e integração de organização criminosa.
Falsificação descoberta por servidores do Judiciário
Segundo o inquérito policial, em junho de 2025, a defesa de Miro Louco solicitou sua transferência da Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
Em dezembro do mesmo ano, dois dos advogados investigados apresentaram em uma unidade judicial de Cuiabá um documento com a suposta assinatura de um magistrado autorizando o retorno do preso a Mato Grosso.
Ao conferirem o arquivo, contudo, servidores da Justiça identificaram indícios flagrantes de adulteração:
- Falta de registro: O magistrado não havia proferido tal decisão e não havia histórico do documento no processo original;
- Inconsistências técnicas: O código de validação pertencia a um processo totalmente distinto;
- Edição externa: Foram constatados indícios de que o documento foi diagramado e editado fora do sistema oficial do Judiciário.
Conforme a Polícia Civil, uma das advogadas investigadas é suspeita de redigir ou alterar o arquivo, enquanto os outros dois teriam atuado para protocolar e validar o documento falso perante o fórum.
Perfil do criminoso e condenações
Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus é considerado um dos criminosos de maior periculosidade de Mato Grosso. Ele acumula 17 condenações que somam 93 anos de prisão.
Sua sentença mais recente ocorreu por conta do assassinato de Alexandre Emanuel de Jesus, o “Pato”, de 19 anos, ocorrido em outubro de 2015. A execução foi motivada por uma dívida de apenas R$ 200 que a vítima demorou a pagar a um subordinado de Miro, na época detido na PCE.
As buscas e apreensões realizadas na Operação Reescrita visam recolher computadores, mídias e celulares para comprovar a cadeia de responsabilidades e verificar se outros nomes participaram da fraude.


