Três advogados são investigados pela suspeita de falsificar uma decisão judicial para favorecer um líder de facção criminosa preso em uma penitenciária federal no Paraná. A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Reescrita, com o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão em Cuiabá. O objetivo seria viabilizar a transferência antecipada do detento para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Mato Grosso.
Os investigados são suspeitos de falsificação de documento público, uso de documento falso e integração em organização criminosa. As buscas foram realizadas em três residências e em um escritório de advocacia, com acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
As investigações começaram após a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) identificarem uma suposta decisão que autorizaria a flexibilização das condições para a transferência do preso, apontado como vice-presidente de uma facção criminosa. O documento teria sido apresentado em dezembro de 2025, embora supostamente datasse de novembro daquele ano.
Durante a verificação, servidores do Judiciário constataram que a decisão não havia sido proferida pelo magistrado responsável nem estava registrada no processo. A análise também identificou inconsistências no código de validação e diferenças em relação aos padrões oficiais do sistema eletrônico de execução penal, além de indícios de edição externa do arquivo.
Segundo a Polícia Civil, uma das advogadas investigadas teria participado da elaboração ou edição do documento, enquanto os outros dois suspeitos teriam atuado na apresentação e utilização do arquivo perante o Judiciário. Os mandados buscam apreender celulares, computadores e outros materiais que ajudem a esclarecer a origem do documento e a participação de cada investigado. A apuração segue em andamento.


