Pecuaristas de Mato Grosso conquistaram o primeiro financiamento do Brasil pela linha Eco Invest 2 destinado à intensificação sustentável da pecuária. A operação foi aprovada para a Novapec, que prevê recuperar mais de 3 mil hectares de pastagens degradadas e ampliar a produtividade por meio das técnicas de Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e Recria Intensiva a Pasto (RIP). A iniciativa busca manter as áreas na atividade pecuária, evitando a conversão para outras atividades, como lavouras e florestas.
Vinculado ao Governo Federal, o Eco Invest Brasil busca atrair investimentos públicos e privados para projetos sustentáveis. A segunda linha do programa, lançada em abril de 2025, tem foco na recuperação produtiva de terras degradadas. A operação da Novapec levou cerca de um ano para ser estruturada e aprovada. Segundo o diretor da empresa, Arlindo Vilela, apesar das exigências para a captação, o financiamento oferece condições atrativas para aliar sustentabilidade e retorno econômico.
“É uma linha com foco na sustentabilidade, com recursos e taxas atrativos, por isto mesmo com alto nível de exigência para captar, necessitando de um elevado nível de gestão, organização e compliance”, explica Vilela. No segundo leilão do Eco Invest, realizado em 2025, foram contemplados R$ 16,5 bilhões em recursos públicos, com previsão de mobilizar R$ 30,2 bilhões em investimentos e recuperar aproximadamente 1,4 milhão de hectares em diferentes regiões do país.
A aprovação do projeto contou com apoio técnico do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), que auxiliou na resolução de questões ambientais relacionadas às propriedades. Um dos principais desafios envolveu a existência de uma Área de Proteção Ambiental (APA) em uma das fazendas. Para o diretor de Projetos do instituto, Bruno de Jesus Andrade, o acesso a linhas de crédito como essa permite modernizar as propriedades, recuperar pastagens e elevar a produtividade sem a necessidade de abertura de novas áreas.
“O financiamento é uma ferramenta importante para que o produtor consiga investir em tecnologia, recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas. Também é uma forma de reconhecer e beneficiar os pecuaristas que já adotam boas práticas ambientais”, afirma Andrade. Vilela também destacou a atuação do Imac para esclarecer os entraves ambientais identificados durante a análise do projeto.
Com o financiamento aprovado, a Novapec pretende avançar na intensificação da produção, apostando em técnicas que conciliam desempenho econômico e conservação ambiental. Para Vilela, a operação representa um avanço no reconhecimento financeiro de práticas sustentáveis na pecuária. “O caminho que temos defendido é que a intensificação é uma das maiores ferramentas da sustentabilidade e essa é a primeira vez que temos um retorno realmente efetivo por defendermos estas técnicas sustentáveis. Isso é um projeto disruptivo com um potencial fantástico para a pecuária do Mato Grosso”, enfatiza.



