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Cautela com crédito derruba consumo das famílias pelo quarto mês consecutivo em Cuiabá

Pelo quarto mês consecutivo, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou em Cuiabá e chegou a 104,4 pontos em setembro, queda de 8,4% em relação a maio, quando o indicador estava em 114,4 pontos. Segundo o Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), a sequência de resultados negativos interrompe uma trajetória de crescimento registrada desde o final do ano passado e sinaliza maior cautela dos consumidores da Capital.

Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, o cenário demonstra uma tendência de “aversão ao risco” entre as famílias. A dificuldade para conseguir financiamentos é apontada como um dos fatores que contribuem para a retração. Em setembro, 50,5% dos entrevistados disseram encontrar mais dificuldades para obter crédito, contra 37,1% que consideram o acesso mais fácil. O percentual de consumidores que relatam maior dificuldade subiu de 48% em agosto.

A pesquisa, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou queda em todos os componentes da ICF. As maiores retrações ocorreram na Perspectiva Profissional e nas Compras a Prazo, ambas de 3,9%, seguidas pelo Nível de Consumo Atual (-3,8%), Momento para Duráveis (-2,6%), Renda Atual (-1,9%), Perspectiva de Consumo (-1,7%) e Emprego Atual (-1,4%). Para o IPF-MT, a dificuldade de acesso ao crédito pode estar levando mais famílias a recorrer ao crédito rotativo como complemento do orçamento.

O levantamento também mostra redução no volume de compras. Entre os entrevistados, 47,5% afirmaram ter diminuído a quantidade de produtos adquiridos em relação ao ano passado, enquanto 40,1% disseram ter aumentado o consumo. Apesar disso, há equilíbrio nas expectativas para os próximos meses: 46,9% pretendem elevar as compras, contra 44,4% que planejam reduzir. O IPF-MT avalia que, mesmo diante do cenário desfavorável, ainda existem sinais de expectativa de melhora.

A cautela também aparece na intenção de compra de bens duráveis. O indicador caiu de 102,1 pontos em agosto para 99,5 pontos em setembro, retornando à zona de insatisfação após cinco meses acima desse patamar. Entre os consumidores, 38,9% consideram ruim o momento para comprar eletrodomésticos e eletrônicos, enquanto 38,4% avaliam o cenário como favorável. Para Tião da Zaeli, o resultado evidencia a “cautela extrema” das famílias diante de compromissos financeiros de longo prazo.

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