Um casal procurou a Polícia Civil de Mato Grosso para denunciar ter sido vítima de um golpe de R$ 154,9 mil durante a negociação para a compra de um veículo no modelo de venda direta para Pessoas com Deficiência (PCD). O caso ocorreu em uma unidade da concessionária GAC Motors (Gemini), do Grupo Canopus, em Várzea Grande.
O suspeito, identificado pelas iniciais D.A.P.T., atuava como vendedor no estabelecimento e intermediou todo o processo de venda até deixar de responder e faltar ao trabalho.
Dinâmica da Negociação e Transferência do Valor
De acordo com o boletim de ocorrência, os contatos com o vendedor tiveram início em julho deste ano:
- Sinal de Reserva: No início das tratativas, o casal efetuou o pagamento inicial de R$ 1 mil diretamente para a conta oficial da concessionária.
- Faturamento Falso: Posteriormente, o vendedor informou à família que o automóvel havia sido faturado pela montadora e solicitou a quitação do saldo remanescente de R$ 153.990.
- Pagamento via Pix: Em 18 de agosto, o valor foi transferido pelas vítimas via Pix. No entanto, a conta de destino estava vinculada a um CNPJ em nome do próprio funcionário, e não da empresa.
- Atrasos e Desculpas: O suspeito justificou que o carro vinha transportado de São Paulo com previsão de entrega para o início de setembro. No período, ele desmarcava sucessivas reuniões presenciais alegando estar em “vendas externas”.
Descoberta do Golpe e Posicionamento da Concessionária
A fraude foi descoberta quando o casal compareceu pessoalmente à concessionária e foi informado de que o vendedor não frequentava o local de trabalho há mais de 30 dias, estando sob processo de desligamento por abandono de emprego.
Ao consultarem o sistema interno, os representantes do Grupo Canopus constataram que:
- Pedido Inexistente: Não havia qualquer registro do pedido do veículo ou da intenção de compra no sistema da concessionária;
- Ausência de Repasse: Os R$ 153,9 mil pagos pelas vítimas não deram entrada em nenhuma conta corporativa da empresa;
- Violação de Protocolo: A norma interna prevê que todos os pagamentos devam ser efetuados exclusivamente para o CNPJ oficial da concessionária, sendo vedado aos vendedores firmar contratos particulares ou receber valores em contas pessoais/próprias.
A empresa informou à polícia que já havia recebido outras reclamações parecidas envolvendo o mesmo colaborador. O caso foi registrado como estelionato e segue sob investigação pela Polícia Civil, que analisará os comprovantes bancários, as conversas via aplicativo de mensagens e o histórico do suspeito para verificar a extensão dos danos e a existência de outras vítimas.

