Mato Grosso assumiu a liderança do ranking nacional de demanda dos consumidores por crédito, apresentando um crescimento de 36,7% no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em julho. O resultado coloca o Estado isolado no topo da lista e bem acima da média brasileira, que registrou um avanço de 17,1% no mesmo período, segundo dados do Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian.
Apesar de a procura por recursos ter subido em todas as Unidades Federativas do país, Mato Grosso registrou a maior variação do território nacional. Na sequência do ranking aparecem o Acre, com alta de 26,5%, o Amapá (25,6%), o Rio Grande do Sul (25,4%) e Roraima (24,5%). Na ponta oposta, os menores crescimentos foram observados no Distrito Federal (11,3%), em São Paulo (12,8%) e no Rio de Janeiro (13,3%).
Procura Aumenta Principalmente na Baixa Renda
No recorte por faixa salarial, o levantamento da Serasa Experian revela que a expansão da demanda esteve fortemente concentrada entre as famílias de menor poder aquisitivo.
Nacionalmente, os consumidores que recebem de um a dois salários mínimos lideraram a busca por crédito, com disparada de 38,8% no acumulado de 12 meses até julho. A faixa de até um salário mínimo teve crescimento de 16,7%, e a de cinco a 10 salários subiu 14,8%. Por outro lado, o grupo que ganha entre dois e cinco salários mínimos foi o único a registrar queda (-0,6%).
Considerando apenas o comparativo mensal (julho de 2026 em relação a julho de 2025), a procura geral por crédito no Brasil subiu 16,9%, novamente impulsionada pela faixa de um a dois salários mínimos, que saltou 57,3%.
Recursos Usados para Pagar Contas e Cobrir Orçamento
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o forte avanço na procura por crédito não reflete, necessariamente, um momento de aquecimento do consumo ou compras de novos bens. Pelo contrário: o recurso tem sido utilizado primordialmente para equilibrar o orçamento doméstico e quitar despesas do dia a dia.
Estudos do órgão apontam que o brasileiro compromete, em média, 74,6% da sua renda mensal com contas básicas, fatura de cartão e parcelamento de dívidas. Nas faixas de menor renda (até dois salários mínimos), esse comprometimento atinge patamares críticos de 87,0% a 87,8%, deixando quase nenhuma margem financeira para imprevistos.
Além disso, a análise alerta para uma desaceleração na concessão de linhas de crédito com juros mais baixos, empurrando parcela significativa da população para modalidades rotativas e com taxas mais elevadas para conseguir cobrir os gastos mensais.

