Após o vazamento de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao banqueiro Daniel Vorcaro, o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) pediu a prisão do magistrado, enquanto o senador Carlos Fávaro (PSD) cobrou explicações públicas e defendeu que o Senado esteja preparado para abrir um processo de impeachment caso não haja esclarecimentos ou renúncia. As manifestações ocorreram após a divulgação, pela Polícia Federal, de informações envolvendo uma suposta conversa sobre o risco de prisão e uma eventual saída de Vorcaro do país.
Medeiros comparou o episódio ao caso do ex-senador Delcídio do Amaral, preso em 2015 após ser acusado de tentar ajudar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a evitar uma delação. Segundo o deputado, a situação atual exige que o mesmo entendimento adotado naquela ocasião seja aplicado a Moraes. “Eu estava no Senado quando o então Delcídio do Amaral conversou e tinha o áudio dele conversando com Cerveró a respeito de uma possível fuga do Cerveró. O STF mandou prender o Delcídio do Amaral e ele foi preso”, afirmou.
Na avaliação de Medeiros, a divulgação das mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro justificaria uma medida semelhante. “Agora acabamos de saber que o ministro Alexandre de Moraes tinha uma conversa similar com o Vorcaro. Então eu venho aqui encarecidamente pedir ao ministro André Mendonça: o senhor precisa prender Alexandre de Moraes. Pau que bate em Chico tem que bater em Alexandre também”, declarou o deputado.
Fávaro, por sua vez, afirmou que Moraes tem a obrigação de se manifestar publicamente sobre os fatos revelados pela Polícia Federal, garantindo, ao mesmo tempo, o direito de defesa do ministro. “Diante dos fatos revelados pela Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes tem a obrigação de vir a público e explicar, com clareza, tudo o que aconteceu. Ele tem direito à defesa, mas a sociedade também tem direito à verdade”, disse o senador.
O senador defendeu ainda que, caso Moraes não apresente os esclarecimentos considerados necessários, o ministro deveria renunciar ao cargo no STF. Para Fávaro, a gravidade das informações divulgadas exige uma resposta pública e uma decisão compatível com a responsabilidade institucional atribuída à função exercida pelo magistrado.
Na mesma linha de cobrança institucional, Medeiros afirmou que o Supremo não pode adotar critérios diferentes conforme os envolvidos. “Não pode existir dois pesos e duas medidas. Se o STF prendeu Delcídio por uma conversa sobre fuga, precisa ter coragem para aplicar o mesmo entendimento quando a conversa envolve um ministro da própria Corte”, afirmou. Fávaro também sustentou que, se não houver explicação ou renúncia, “o Senado Federal precisa estar pronto para cumprir o seu papel e abrir imediatamente o processo de impeachment”.

